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Basta coragem

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Quando eu era pequena, eu vivia na minha sombra. Vivia me escondendo, tentando ser invisível. Na verdade, eu não conseguia me encaixar em nenhum grupo. E não achava que as pessoas estavam dispostas a me aceitar. A escola, meu lugar preferido, havia se tornado um lugar de muita solidão, os outros alunos me olhavam torto aonde quer que eu fosse, apelidos como “bruxa do 71”,  “CDF”, “quatro faróis” e bilhetinhos e telefonemas com ameaça de repente faziam parte da minha vida, eu fingia que não me importava, mas aquilo doía muito. Quando mudei de escola, fiz um voto comigo mesma de que ali eu passaria despercebida, seria apenas mais uma na sala de aula, e por um tempo, deu certo, não fiz amizades e minha voz era que nem artigo de colecionador, você sabe que existe mas raras são as ocasiões em que a visitação pública é permitida. Confesso que as vezes, ainda me pergunto “será se estou no lugar certo”, ou “será que aqui tem espaço para mim?”, olho para os diversos grupos de pessoas e sinto que não faço parte de nenhum deles. Que nunca se sentiu assim? Acho que isso faz parte. Mas, quem disse que você pode escolher apenas um grupo e ser dele para sempre? Enquanto eu vivia na sombra, eu desejava não ter tantos olhares tortos na minha direção, eu queria que me aceitassem, mas eu não me aceitava. Então, fui amadurecendo, e a idade me fez descobrir que não havia nada de errado em ser uma das melhores da turma e gostar de moda e maquiagem, de ser da área de Humanas e gostar de cálculo, ser super responsável, mas completamente desastrada, porque tudo isso faz parte de mim e querer mudar algo para me sentir aceita seria negar quem eu sou. E é claro que se eu fizesse isso eu não me encaixaria em lugar nenhum. Afinal, como já dizia o grande filósofo Gato Listrado “se não sabemos para onde vamos, qualquer caminho serve.” Se não sabemos quem somos, qualquer coisa serve, qualquer grupo, qualquer pessoa. Uma lição que a vida ensina, é que não precisamos da aprovação de ninguém para ser feliz. Viver na sua própria sombra pode não ser a única opção na sua vida e talvez sair dessa caixinha seja a única oportunidade de ver o que tem lá fora e que ninguém mais é capaz de ver por você. Eu poderia contar quantas chances eu teria na vida se ficasse me reprimindo, mas decidi que ao invés de contar, seria eu quem estrelaria cada momento que chamamos de chance. E não precisei de muito, bastou coragem.

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Mas…a que preço?

Sabe aquele fatídico dia em que você decide sair do seu “mundinho” e ligar a televisão? Então foi essa simples, ingênua e arriscada atitude que me trouxe ao post de hoje. Há alguns anos, fiz um pacto de evitar telejornais e televisão, sim, você pode  e consegue sobreviver a isso. Foi uma escolha pessoal já que tudo a que eu assistia se resumia a uma única categoria: destruição. E a culpa que senti naquele momento ainda sinto hoje, a culpa de ser cúmplice, a culpa do silêncio, a culpa da impotência. Ao que me parece, estamos todos perdendo o bom senso e a moral. Enquanto algumas pessoas provam que não se pode perder, aquilo que jamais se teve.

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Há alguns dias venho passeado pela minha cidade, embora o calor que faz nessa época impeça muitas das atividades as quais me proponho frequentemente. Tenho me sentido profundamente angustiada, outro dia, vi  um dos lugares que amo ver pela manhã incendiando, era meio dia. Eu passei de carro e apenas me senti imbuída de um sentimento chamado culpa. Queimadas são frequentes nesse período e isso tem se tornado normal, quando não deveria. Não é normal compactuar com tanta destruição, não é normal me isolar em um mundinho porque a realidade tem ficado a cada dia mais cruel e menos suportável. Não é normal tratar como “faz parte do processo” tanta falta de humanidade e desinteresse. Estamos ganhando? A que preço?

Abrimos mão de pessoas, valores, memórias, lutas por cansaço. Cansaço de fracassarmos em nossos esforços, cansados de sermos a maioria perdendo para  “o mais forte sobrevive”. É  a seleção natural de Darwin aplicada à famosa “selva de pedra”. Deveríamos dizer natural? Morrendo em um mar de mentiras, assassinatos, corrupção, devastação? Destruindo uns aos outros, destruindo o que, ironicamente, é o que ainda nos faz ficar de pé?

Haveria um tratamento para tamanha insanidade ou estamos de fato perdidos? O que bombeia o sangue para o nosso corpo, ainda é o coração? Tenho me perguntado isso a cada dia que passa, a cada degradação humana cometida, a cada notícia de pai matando filho, filho encomendando a morte de pai, crianças violadas, famílias destruídas, matas dando lugar  a construções de cimento ou a nada. Afinal, o nada que não era para significa tanto tem se mostrado bastante espaçoso. Preenchemos nossa vida de nada, nossos olhares estão vazios, nossas consciências em um sono profundo. Já não temos capacidade de olhar para frente, olhamos para baixo, para o nosso umbigo ou simplesmente fingimos não ver. O que está faltando?

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Você (ainda) não sabe…

Amores não podem ser apagados, apenas substituídos, o que você pode fazer é transformar esse amor…

…que já passou em outro sentimento bom, é uma memória. Infelizmente, não há nenhum delete para isso. E talvez o melhor é se dar um tempo, pessoas continuarão sendo pessoas, algumas vezes, confundimos o tipo de amor que sentimos e isso causa uma bagunça enorme. Olhar para si mesma é essencial, porque só seremos capazes de amar alguém quando menos precisarmos dele para nossa felicidade, quando estivermos bem consigo mesmas é que seremos capazes de receber esse amor e tratá-lo como merece. O calcanhar de Aquiles de muitos relacionamentos é a união por carência, por necessidade de sentir-se amado e que se dane o verdadeiro amor. E que se dane o mundo, não sou de ninguém e ninguém é meu. Mas a falta de algo que nos complete é a ausência de amor a si mesmo.