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Capítulo 1- Sempre a Verdade

Capítulo 1- Sempre a Verdade

Bom, aqui estou eu tentando ser ao menos um pouco convincente, para mim mesma, é claro. Sentada em um banco enquanto as outras pessoas da minha idade, estão curtindo a vida. Para falar a verdade nem sei o porquê eu vim para cá. É óbvio que não é o meu lugar. Estou começando a me arrepender de não ter coragem suficiente para mandar alguém calar a boca. Mesmo que seja seu melhor amigo. Jônatas é muito insistente quando quer, nossas mães eram amigas na faculdade e crescemos juntos, mas, na adolescência nossas vidas tomaram rumos diferentes. Ele cada vez mais foi se tornando popular, eu, bom, a nerd antissocial.

Jônatas é o típico “famosinho”. Moreno, alto, nem forte demais, nem magrelo. Cabelos pretos, olhos castanhos, com covinhas quando sorri, nariz afunilado. Super cavalheiro e muito esforçado. Nem sei como ainda se mantêm solteiro, dizendo ele que ainda não encontrou a garota certa, acredito que todas naquele salão tinham uma queda por ele. Menos eu. Para falar a verdade, todas são muito bonitas, bem arrumadas, perfumadas. Não que eu não seja como elas fisicamente, na verdade, até que eu me encaixava no padrão de beleza cruel pelo qual nós adolescentes somos massacradas. Mas a depressão me fez mudar. Ganhei um pouco de peso, deixei de me “produzir” quando saía e minha auto-estima não estava lá essas coisas.

Essa sou eu, Ana, uma garota de 16 anos. De bochechas expressivas, cabelo castanho claro, comprido e ondulado, olhos da mesma cor e pele amarelada. Tímida, sonhadora, uso óculos estilo Harry Potter, não porque eu goste, mas miopia é algo que me acompanha desde os 5 anos de idade. Também tenho algumas outras doenças rotineiras, como uma anemia infinita e taquicardia. Pergunto-me todos os dias o que eu faço neste mundo porque é óbvio que não me encaixo bem aqui. Eu observava aquelas pessoas conversando normalmente e eu era incapaz de puxar assunto com alguém desconhecido. Sempre era assim, Jô sempre conseguia me arrastar para as sociais da escola, eu o observava e no, fundo, desejava ser como ele. Ele tinha o dom da comunicação, sabia se relacionar com as pessoas, era algo invejável a facilidade com que estabelecia vínculos.

Na boa, eu estava bem. Na escola, todos me conheciam, sabiam como eu era, então me poupavam de maiores esforços. Meus pais nunca entenderam o porquê de eu ser assim, dos quatro filhos, a única menina era eu e, para falar a verdade, nunca fiz o tipo que queriam. Eles me amavam, mas nunca souberam como lidar comigo. Peguei meu celular. 21:30 hrs. Eu sabia que eles não me ligariam porque estava com Jô e, claro, que eles torciam para que eu me aproximasse das pessoas. Sei que sofreram muito quando minha depressão começou, eu só comia e dormia. Nada mais. Meus irmãos tentavam me animar, mas tinha um jeito peculiar de fazer aquilo, diziam que eu tinha que sair, que estava engordando, que precisava me tratar, nada daquilo me fazia voltar à realidade. E quando isso acontecia, eu não tinha coragem para conseguir sozinha e não sabia pedir ajuda. Nem meu melhor amigo sabia como lidar comigo e, por diversas vezes, eu o expulsei do meu quarto. Não sei nem como continuamos nossa amizade depois disso. Eu ainda não estava totalmente recuperada, mas o pior já tinha passado.

As pessoas costumam achar que depressão, na minha idade, é frescura. Queria que fosse assim, mas não é. Quando achamos que nosso mundo vai acabar, é porque realmente vai para aquela pessoa e o mínimo que ela precisa, é de respeito. E não é dizendo o quanto ela está mal ou feia ou gorda que vai ajudá- la a sair dessa situação. Deve ter sido aí que parei de confiar mais ainda nas pessoas. Ninguém sabia lidar comigo e eu não sabia ensinar o jeito certo de fazê-lo. Então, era sempre assim. Eu já deveria estar acostumada. Guardei o celular na bolsa, não tinha nada de interessante no facebook e muito menos no whatsapp. Coloquei meu braço sobre a mesa e baixei a cabeça, desejando ansiosamente que Jônatas cansasse e quisesse ir embora.

Estava meio escuro, apenas as luzes, brincando no salão e colorindo as mesas brancas circulares. Era vez da música eletrônica reinar, o DJ era bom, confesso. Tentei contar os minutos, mas era muito entediante. A maioria da escola estava lá. Aqueles rostos eu veria no ano seguinte, mas havia algo diferente no olhar dos formandos, era a última vez juntos, a cada segundo que passava, uma despedida. As moças em seus melhores vestidos, os rapazes de roupa social. A faixa brilhante em cima do palco dizia: O Beira Rio deseja a todos os alunos ótimas férias e novos recomeços. Ri comigo mesma, eu precisava mais que todos de um recomeço.

Ei, menina, o que falamos sobre isso?- eu levantei a cabeça reconhecendo a voz, ele sentou ao meu lado e tirou minha bolsa da cadeira para isso.Colocou  um coquetel pra mim. Ele sorriu olhando para o seu copo.- Essa é uma promessa que ainda não quebramos: diversão sem álcool.- era nossa promessa, odiávamos aquele cheiro de álcool desde pequenos.- Sua cara está horrível, seus pais vão achar que te droguei ou algo do tipo.- ele sorriu e eu também.

E talvez fiquem eternamente gratos por alguma vez na vida, eu agir como uma adolescente normal e problemática o que é esperado da nossa idade.- bati meus dedos sobre a mesa e fiz a cara de sempre implorando por misericórdia para que ele me levasse para casa. Ele apenas olhava pra mim, cerrando os olhos, claro que eu não conseguiria o que queria.

Queria que você se divertisse.- ele suspirou- Na boa, não quero ter que voltar mais e mais vezes naquele quarto e dar de cara com você me expulsando. A vida segue sabia?- esse sermão eu conhecia de cor- An, só quero ajudar, sempre tenho as melhores intenções, essa festa era uma delas.

– Eu me diverti. Por exemplo, a Mariana está super a fim de ti, mas se embebedou antes de colocar em prática seu plano. Ela tropeçou na toalha da mesa sabia? Não que seja engraçado a desgraça alheia, mas a conhecemos bem para saber que este último ano dela não foi poupado de crises e vexames em público. E olha só, esse DJ não é tão bom a ponto de me fazer sair daqui dançando e ir pro centro da pista dançar loucamente. O discurso do diretor Soares também foi.. hum.. singular… principalmente a tentativa dele de dar instruções sobre sexualidade a uma multidão de hormônios em seu último dia de aula. E eu pude observar e aprender como ser uma adolescente normal, sem dúvidas, experiências que levarei para o resto da vida- declarei, a essa altura Jô sorria alto.- Creio que me diverti mais que você.- olhei para ele que mal se aguentava na cadeira. Ele era o tipo de cara que merecia ser feliz, sempre me fazendo sorrir e me incentivando até mesmo nos piores momentos.

– Sua ironia é uma comédia, sabia? Merece até que eu a leve agora, mas, antes terá de dançar comigo uma música. Vamos lá, sem medo. Uma dança só e eu levarei a princesa até seu castelo antes da meia noite.- ele também ironizou. Nossa amizade também era carregada de ironias, a gente não se levava a sério. Estendi a mão e ele me levou até a pista.- Muito bem, garota!- ele segurou uma das minhas mãos e pousou a outra sobre minha cintura. Todos estão olhando pra gente, não olha!- Ele sorriu aquele risada gostosa.- Eu sou o cara!

-Idiota.- sorri e pousei meu rosto sobre o ombro dele.- Quero ir embora- suspirei.

– Plantamos o ódio essa noite. Sabia que o Rafael tem uma queda por ti? Bem que você podia dar uma chance para o cara- ele falou ao me rodar pelo salão. Fuzilei-o com os olhos– Só quero que saia dessa. Ele não te mereceu nunquinha, nem em 1000 anos não te merecia. Ele foi embora, você deveria deixá-lo ir também- Eu sabia aonde ele queria chegar.

Não foi só por causa dele que fiquei daquele jeito. Você sabe melhor que ninguém, Senhor Hitch- ele deitou a cabeça para trás e sorriu novamente- Não é só porque não vou com a cara das suas ficantes que você precisa terminar sem ter ao menos ter começado.

– É que estou esperando você morrer e reencarnar em alguém que eu possa namorar, sua besta.- ele beijou minha testa. Uma das coisas que nos fazia ser como carne e unha era que ele tinha coragem de me desafiar enquanto os outros tinham medo de mim – Claro que você preferiria voltar como uma assombração para atormentar minha vida- ele declarou.- Hora de ir, princesa.

– Na boa, ainda não encontrei algo pior que idiota pra te chamar.

-Ah, você encontrou um meio inteligente de detonar comigo, mas é certinha demais para usá-lo contra mim.- ele disse enquanto me acompanhava em direção à porta.- Falou aí, rapazes! Marcamos algo depois- ele acenou para seus amigos.- Você poderia ter amigas mulheres, sabia?

– Aqui? Depois daquela dança, elas me querem morta. Além disso, a Luísa está no Canadá, literalmente, hahaha. Ás vezes, acho que tudo isso é apenas um sonho. Fico imaginando como seria ser como elas, sabe? Elas são desejadas, os rapazes babam por elas.- falei prendendo meu cabelo, enquanto ele destrancava a bicicleta.

– Você não precisa ser como elas. Basta ser a mesma que é aos olhos dele e aos meus, já é o suficiente, já te disse isso, garota.

– Nem todo assunto precisa chegar nele.- condenei-o.

– Nem precisa, seu pensamento está com ele, sempre.- Jônatas falou empurrando a bicicleta.- Sempre a verdade-lembrou.

-Sempre a verdade.

A volta para casa foi divertida, não havia muito trânsito, eram dias como aqueles que precisávamos para nos divertir. Minha bicicleta tinha garupa, mas a minha cestinha era odiada por Jô. O jeito foi ir no guidom da dele. A família dele iria à praia, ele tentou me convencer a ir. Meus pais adorariam, mas eu disse não. Nossos pais eram sempre muito unidos. Acredito que deveria existir uma ‘liga pró-Ana’. Era 15 minutos de bicicleta da escola para as nossas casas. Éramos vizinhos e morávamos um de frente para o outro. As janelas dos nossos quartos também.

Olá família 2!– gritou Jônatas assim que paramos na frente da minha casa.- Eu não droguei a filha de vocês, ela fez isso sozinha. Não se pode confiar em adolescentes! Ai, projeto de viciada!- ele gritou porque chutei a canela dele. Ele sabia que eu tinha a chave, mas não perderia oportunidade.- Vou nem me dar o luxo de ficar na janela hoje porque a sua estará fechada certamente. Boa noite, An– ele continuava sorrindo.

Perspicaz, jovem.- beijei seu rosto- Boa viagem.- ele me abraçou.

Sempre a verdade?- ele perguntou sem me soltar.

Sempre a verdade.- sorri comigo mesma.

Vai ficar bem?- ele perguntou baixinho em meu ouvido.

Vou. – e pela primeira vez, em muito tempo, estava sendo verdadeira comigo mesma. Ele também percebeu isso. Disse algo, mas não entendi.

Abri a porta e entrei, meu pai assistia televisão no sofá verde. Cumprimentei-o e ele perguntou se eu queria algo. Minha relação era melhor com ele, acho que por eu ser a princesa da casa e a caçula. Sentamos no balcão da cozinha e contei como havia sido a festa enquanto comíamos o resto da torta de frango que minha mãe tinha feito. Ele não pareceu surpreso com nada, meu comportamento era o mesmo sempre. Senti que ele queria algo mais e certamente esperava para que fosse algo diferente naquela noite. Eu o havia desapontado mais uma vez. Subi para o meu quarto, tomei um banho, vesti meu pijama estrelado. Deitei sobre a cama e olhei para o teto, fiquei imaginando o que meus pais diriam se eu quisesse colocar papel de parede no forro, algo luminescente para brilhar a noite, assim eu poderia imaginar a imensidão do Universo.

Lágrimas começaram a se formar. Eu queria ser uma pessoa normal sem as pessoas criarem expectativas sobre mim. Queria ter novidades para meu pai, ter um namorado que me fizesse ficar acordada até tarde falando besteira pelo telefone, não ter aquela compulsão por comida que a depressão me fazia ter, nem ter de tomar aqueles remédios e ir na psicóloga uma vez por semana. Queria nunca ter conhecido ele. Nem sofrer com aquelas ameaças constantes pelo telefone. Eu não queria aquela vida e todos os dias, no banho, queria que minha pele saísse como uma roupa que eu pudesse trocar todos os dias. Aos poucos fui adormecendo e toda aquela preocupação ficou para uma outra vez.

Acordei cedo, como todos os dias, mas não era por ter aula, afinal, era sábado. Mas aquela sensação de férias deveria me fazer bem de alguma forma. Meu irmão, o único que morava comigo tinha saído para o treino, acho que ele é um obcecado por academia. Por isso deve ter escolhido cursar Educação Física. Rodrigo é aquele típico cara de 18 anos pelo qual as garotas babam, forte, galanteador, cabeça raspada. Olhar profundo e negro, pele bronzeada. Não sei como meu irmão consegue isso sem nenhum esforço. Ele tem uma namorada, a Michelle, eles são um grude, chega a ser nojento vê-los juntos, muito “momorzinho” para cá e lá, tudo completamente desnecessário. Somos como qualquer casal de irmãos, bom tirando que os outros dois já são casados e tem família, formamos uma dupla perfeita, ele me importuna sempre que pode e eu não perco minhas oportunidades, mas defendemos um ao outro melhor que ninguém.

Por falar nisso, meus pais são casados há 27 anos. Emanuella e Geraldo se conheceram na faculdade, estudaram juntos, mas nunca tiveram nada. Nessa época, minha mãe namorava um cara chamado Alexandre, chegaram a noivar, mas ela descobriu que ele não era quem ela realmente pensava. Já depois de formada e sem nenhuma expectativa de compromisso, minha mãe foi trabalhar em uma empresa em que meu pai era o contador. Eles se estranharam logo no começo, mas o resto da história, vocês já sabem. Ela consegue manter a forma apesar de ter passado dos quarenta e meu pai também, eles saem para correr juntos todos os dias. Ela é loira, agora, devido a coloração que passou a usar, tem um gênio forte ao contrário do meu pai que é super tranquilo, ela é baixinha, meu pai é um pouco mais alto. É engraçado vê-los juntos. As vezes me pergunto se seriam a família perfeita se eu não existisse. Eles tentam me compreender e moveram céus e terra para me ajudar, coisa pela qual me sinto mais em dívidas com eles, como se não bastasse terem me gerado, ainda me devolveram a vida outra vez.

Abri a minha janela na expectativa de me contagiar com os raios de Sol e ser mais positiva naquele dia. Teria que fazer uma lista de coisas para fazer durante as férias, embora a maior parte do meu plano se resumiria em filmes na tv a cabo e livros, muitos livros, sobre os filmes que eu assistiria, afinal, eu estava de férias e não teria vida no próximo ano com o vestibular. Meus pais haviam deixado o café da manhã, adiantado. Lavei a louça e aguardei, faltava cerca de 10 minutos para meus pais chegarem. Sentei no sofá, liguei a televisão em um canal qualquer, meu celular vibrou.

AS COISAS NÃO MUDAM MESMO, NÉ?

Gelei. Não era possível, por mais que eu mudasse constantemente de número, sempre me encontravam, seja lá quem fosse. Mas, depois que contei aos meus pais, e eles me levaram a polícia, a situação tinha melhorado. Não se sabia quem estava fazendo aquilo comigo, mas os policiais continuavam a investigação. Meu coração parecia que ia parar, eu não sentia minhas pernas. Pude ouvir a risada de minha mãe se aproximando e depois seu grito me chamando e correndo perto de mim. Eu não estava bem. Ela pegou o celular e deu ao meu pai que leu a mensagem de um número desconhecido. Ele sentou do meu outro lado e me segurou enquanto minha mãe foi preparar um copo com água e açúcar.

Senti o abraço do meu pai enquanto lágrimas caiam copiosamente de mim. Aquelas ameaças me perturbavam, não sabia que tinha inimigos a esse ponto nem que eu incomodasse alguém.

Calma, filha. Estamos aqui, mesmo sem saber o que fazer, estamos aqui- ele disse me apertando mais para perto de si- Sua cabeça passava por entre meus cabelos. Eu sabia a expressão que ele deveria estar fazendo, se sentindo impotente mais uma vez. Minha mãe chegou, tomei a água e ela também me abraçou. Assim que me senti melhor, disse que subiria para o meu quarto. Assim que entrei, me atirei sobre a cama e me cobri da cabeça aos pés, como fazia desde pequena. Meu celular chamou, era Skype. Luísa queria falar comigo, atendi mesmo com a cara inchada.

Cobra menor, nenhuma pista de quem seja?- ela perguntou preocupada. Eu lembrava perfeitamente daqueles cabelos negros que agora eram channel, Luísa era sempre estilosa, como estava com uma blusa de alça, vi que ela havia feito uma tatuagem no ombro esquerdo, era um tordo, do filme Jogos Vorazes. Como ela era bem branca, então contrastava com as veias que vez ou outra apareciam. Apesar da aparência delicada, sua voz era um pouco mais grave que o normal, na verdade, era sempre rouca.- se eu estivesse aí, te ajudaria a caçar esses imbecis.

– Claro, cobra maior. Nada como um pouco de força para resolver os problemas.- ela sempre me fazia rir.- E o Bernardo?- Bernardo era o cara com quem ela estava saindo, sempre me mandava mensagens dizendo o quanto estava encantada, que Bernardo aquilo e aquilo outro. Na verdade, só eu conhecia esse lado dela. De resto, era a guria marrenta.

Terminamos, aliás, não tínhamos nada sério e eu não sou o tipo de garota que espera o cara se decidir entre o agora e o passado.- ela virou a câmera e mostrou a mãe dela que me mandou um beijo.- Aqui tem muitos gatos, você bem que poderia vir me visitar, cobra menor. Talvez assim, ele vire passado também. Ei, vem cá e o Jô?

– Praia.- revirei os olhos.

-Outra tentativa frustrada assim como as minhas, né? Quem consegue te tirar de casa, hein? Nem o gato daquele pedaço de céu- ela brincou– Eu bem que quero te dar umas palmadas, mocinha.- ela começou a rir e eu também.- Cobrinha, tenho que ir, vamos a uma estação de ski agora. Te amo.

Havia um longo dia pela frente, fui até a lavanderia, coloquei as roupas para lavar e meu irmão ligou o som alto. O vi dançando pela sala até chegar perto de mim.

Ei, gordinha. Se mexerem contigo, mexem comigo. Estamos juntos nessa, gata.- ele me atirou uma camisa suada e saiu rodopiando pela casa.

Depois que terminei de lavar as roupas, estava profundamente cansada, isso devido à má experiência depois daquela mensagem. Lembrei de como me sentia no início. Eu era sorridente, divertida, sabia lidar com as pessoas. Mas, depois que tudo aconteceu e dele, eu passei a duvidar de todos que se aproximavam de mim. Recebi uma foto de Jônatas no Whatsapp, não pude deixar se sorrir, ele estava “plantando bananeira” na praia, de óculos escuros e língua para fora. Apenas visualizei, não queria estragar o dia perfeito na praia.

Subi para o meu quarto enquanto minha mão aprontava o almoço. Peguei meu diário, coisa que não fazia há muito tempo.

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