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Florescer 

Não sei como começar. Acho que “finalmente estou bem” é um ótimo começo. Na verdade, era para ser o fim. Mas, nunca segui as convenções, não é mesmo?  Acho que era isso que me tornava especial. Ao menos por um bom tempo. É que as vezes, a gente demora para se reerguer, ou para acreditar que isso é possível. Bom, sobrevivi com os mesmos planos, aliás, boa parte deles. Sempre houve muito de mim neles. Essa coisa de ser intensa faz parte de mim. Sempre fez. Talvez a culpa em parte tenha sido minha e quem diria, eu sobrevivi para aceitar isso. A gente amadurece e eu cresci muito nos últimos anos. Cresci tanto que não me vejo mais  com os mesmos erros, não seria tão medrosa, tão intensa, tão insegura. Quem sou hoje olharia  bem nos meus olhos do eu do passado e diria: ” Garota, não é desperdício de tempo, estou orgulhosa. Você conseguiu” e a abraçaria forte, era disso que eu precisava. Mas, tudo saiu de controle, havia rancor demais e ele sufoca, magoando principalmente quem o guarda. Era para ele ter ido com tudo que foi jogado fora. Às vezes, a limpeza tem que ser feita por dentro. É, eu aprendi a lição. Era uma preparação. Naquele momento eu não apostaria nisso, mas hoje é meu diagnóstico. Se a dor ensina, você precisa experimentar o perdão, principalmente a si mesmo. Aprendi mais sobre mim neste período do que em qualquer outra fase da minha vida. Descobri que corações partidos podem se reconstruir se lhea for dada a atenção correta, que é possível amar sem esperar nada em troca e que existem pessoas que realmente tem o dom de fazer outras sorrir. Aquele silêncio deu lugar a sorrisos não esperados e aquele abraço por muito tempo guardado encontrou um lugar para chamar de seu. A ansiedade deu lugar a paciência e a mágoa floresceu, virou nuvem.Obrigada.

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Basta coragem

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Quando eu era pequena, eu vivia na minha sombra. Vivia me escondendo, tentando ser invisível. Na verdade, eu não conseguia me encaixar em nenhum grupo. E não achava que as pessoas estavam dispostas a me aceitar. A escola, meu lugar preferido, havia se tornado um lugar de muita solidão, os outros alunos me olhavam torto aonde quer que eu fosse, apelidos como “bruxa do 71”,  “CDF”, “quatro faróis” e bilhetinhos e telefonemas com ameaça de repente faziam parte da minha vida, eu fingia que não me importava, mas aquilo doía muito. Quando mudei de escola, fiz um voto comigo mesma de que ali eu passaria despercebida, seria apenas mais uma na sala de aula, e por um tempo, deu certo, não fiz amizades e minha voz era que nem artigo de colecionador, você sabe que existe mas raras são as ocasiões em que a visitação pública é permitida. Confesso que as vezes, ainda me pergunto “será se estou no lugar certo”, ou “será que aqui tem espaço para mim?”, olho para os diversos grupos de pessoas e sinto que não faço parte de nenhum deles. Que nunca se sentiu assim? Acho que isso faz parte. Mas, quem disse que você pode escolher apenas um grupo e ser dele para sempre? Enquanto eu vivia na sombra, eu desejava não ter tantos olhares tortos na minha direção, eu queria que me aceitassem, mas eu não me aceitava. Então, fui amadurecendo, e a idade me fez descobrir que não havia nada de errado em ser uma das melhores da turma e gostar de moda e maquiagem, de ser da área de Humanas e gostar de cálculo, ser super responsável, mas completamente desastrada, porque tudo isso faz parte de mim e querer mudar algo para me sentir aceita seria negar quem eu sou. E é claro que se eu fizesse isso eu não me encaixaria em lugar nenhum. Afinal, como já dizia o grande filósofo Gato Listrado “se não sabemos para onde vamos, qualquer caminho serve.” Se não sabemos quem somos, qualquer coisa serve, qualquer grupo, qualquer pessoa. Uma lição que a vida ensina, é que não precisamos da aprovação de ninguém para ser feliz. Viver na sua própria sombra pode não ser a única opção na sua vida e talvez sair dessa caixinha seja a única oportunidade de ver o que tem lá fora e que ninguém mais é capaz de ver por você. Eu poderia contar quantas chances eu teria na vida se ficasse me reprimindo, mas decidi que ao invés de contar, seria eu quem estrelaria cada momento que chamamos de chance. E não precisei de muito, bastou coragem.