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Ela ora e espera

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Ela só queria um lugar para chamar de lar. Talvez fosse muito chegar em casa. De alguma forma, ela paga o preço por ter feito escolhas, as suas escolhas. Ela paga o preço de não ter seguido o plano “à risca” tal como fora traçado antes mesmo de nascer. Na verdade ela não se sente parte, voltar para casa é sempre um tormento. E isso a mata, aos poucos, mas mata. Uma morte lenta que a consome a cada pequeno sinal de rejeição. Ela só queria se sentir querida, se sentir amada, queria poder conversar sobre tudo com todos, queria aquela atenção de quem desde cedo teve que aprender a se virar sozinha, porque tinha que ser o exemplo, quando na verdade, nem ela sabia que caminho seguir. Sua casa passou a ser o mundo e qualquer canto onde lhe dispensassem atenção chamaria de lar. Sabe que não é tão querida quanto os outros, na verdade, ela é muito carente, carente de atenção e, principalmente, de amor. Talvez as pessoas não saibam amá-la, ou simplesmente, talvez, ela não saiba como mostrar o jeito de fazer certo. Então, ela se esconde, tenta segurar o mundo de todos, porque o dela já está em ruínas. Destroem seu amor próprio, sua autoestima, principalmente sua capacidade de chorar, nem lágrimas podem rolar facilmente que a culpa é totalmente dela, que se torna fraca quando na verdade só está demonstrando que os fortes também fraquejam. Sim, porque a todo tempo, ela tem que ser forte. E ela se fecha para o mundo, para todos. Não é fácil entendê-la, ela é um mistério. Ninguém sabe dizer quando realmente ela está feliz ou quando o sorriso é usado como arma para que as lágrimas não ganhem espaço. Talvez esse mundo não seja para ela, ou talvez ela não tenha percebido que aqui “se dança conforme a música”. Ela cresceu acreditando em pessoas que não traem, em pessoas que acreditam, cresceu acreditando em reis, príncipes, rainhas e reis, talvez tenha lido muitos contos de fadas, e foi aí que ela aprendeu a ler as emoções. Talvez tenha começado errado. Por mais que a calejassem, mais doce se tornava. Cobravam dela algo que não era capaz de dar, ela sabia sobre justiça o suficiente a ponto de saber quem realmente merece seu esforço. E ainda acham que sabem o suficiente para descobrir o seu próximo passo, quando nem ela sabe se é melhor ir ou ficar. Mas, ela espera. Ela ora e espera…

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