0

CAPÍTULO 6 – DESCONTROLE

Após o almoço, Amanda saiu para investigar as consequências daquela chuva. Saiu com o seu inseparável amigo. Caminhou por todos os lugares onde os estragos foram bem piores. Desceu pela rede de esgotos da cidade, assim que colocou o pé no chão, pisou em algo gelatinoso e preto, muito pegajoso. O cachorro olhou aquilo, cheirou e provou. A garota parou para verificar, aquilo não era conhecido. Continuou a caminhar, encontrou um tecido rasgado da cor preta mais a frente. O silêncio terrível daquele lugar cedeu espaço a pedidos de socorro. Ela corou instintivamente. O medo congelou o seu cérebro.

Era um homem alto, todo de preto, atirado no chão. Sua pulsação lenta, aparência fúnebre. Estava muito machucado e arranhado. Próximo ao canto de sua boca, havia marcas de sangue.

“ O que houve? “, ela perguntou aproximando-se do corpo. “ Bruno? Como você veio parar aqui? “

“ Havia muitos deles… antes de desmaiar, eles se misturaram às sombras e foram embora, outros tentaram me levar. Eles são agressivos, perigosos. O que estou fazendo aqui? “, Bruno falava ofegante e demoradamente. Custava-lhe muito.

De fato, pelo jeito que estava o lugar, havia ocorrido uma briga feia, pedaços de concreto estavam no chão, buracos na parede, manchas de sangue. O pedaço de pano encaixava-se na manga do casaco dele. Amanda tirou sua garrafa da bolsa e deu-lhe água. Com muita dificuldade, ajudou-o a se erguer. Caminharam lentamente. Ele não parava de repetir o que havia falado. Quando chegaram próximo a uma saída do esgoto, a garota deixou-o encostado na parede.

“ A ajuda já vai chegar. Por favor, não conte que eu o ajudei e que estive aqui.”

Ela subiu a escada com o cachorro. Quando chegaram, ela pediu para Spoke ir até o hospital e fazer com que o seguissem até o garoto. A ajuda não demorou, também um cachorro que arranca o soro  de uma maca e sai correndo não é muito comum em hospitais. Chamaram a ambulância , Amanda voltou para casa, mas antes passou em um supermercado. Precisava mudar seu visual. Comprou tinta vermelha, era uma mudança e tanto.

Na porta da pousada, tinha um gato preto sentado só olhando. A garota entrou  e o animal soltou um miado. “ Senhora Camperon, Senhora Camperon? “

Mal recebera os cuidados médicos, Bruno teve seu sossego adiado devido aos policiais que entraram em seu leito para interrogá-lo. O rapaz contou a verdade, mas ninguém acreditou, o médico sugeriu que ele estaria com estresse pós- traumático. O delegado trabalhava com a linha de investigação que indicava vândalos como autores dos últimos acontecimentos. O que era irrelevante, pois a cidade não era como as grandes.

Frustrado, o chefe da polícia, Gutemberg, saiu com muita raiva, recebia pressões dos superiores para resolver o caso. Ele não admitia errar e nem confirmar que não tinha pistas . Na pousada, a doce senhora Camperon concordou em matricular a jovem inquilina na escola. Afinal ela não podia perder aulas. A garota ficou extasiada.

Enquanto caminhávamos, Maurício me deu o presente que tanto ele falava. Era um “flipbook”, lindo! Quando passei as folhas, me vi com uma flor na mão. Nossa era um presente e tanto, agradeci. Continuamos em silêncio, ele, com as mãos no bolso, eu, segurando o livro. Eu o acompanharia até o fim da rua. Eu queria  falar que gostava dele, mas como eu explicaria que não podíamos ficar juntos porque nasci destinada a consertar um grande erro e, provavelmente, não existiria mais aquela Gabriella. Quis gritar, mas não deu. Enfim, chegamos ao final. Nos despedíamos, sem abraços, apertos de mão. Ele estava triste, além de ver, eu podia sentir sua tristeza. Voltei, ele seguiu. Alguns segundos depois, eu virei e o chamei. Ele parou, eu corri e o abracei, agradeci pelo presente e pedi desculpas, ele ficou meio deslocado. Não precisava entender.

“ Você sabe que não deveria ter feito isso.”

“ Sim, eu sei. É por isso que somos da mesma família, Aleja. “

“ Ele vai ter esperanças.”

“ Ao menos alguém aqui pode ser humano” eu queria chorar. Agora que eu tinha amigos, agora que me senti parte de um grupo…

“ Você deve ser responsável e objetiva. Veja a mente dele, por que se bloqueia? Você é mais guardiã…”

“ … que Gabriella… acho que eu posso me governar, não posso? Não é por ser minha tatara que vou obedecê-la, lembra quem causou tudo isso?” Aleja não respondeu. Olhei para o outro lado da rua, aquele garoto estranho de novo. Dessa vez corri atrás dele, mas em um beco ele sumiu.

Sentei na mesa e comecei a fazer minha lição, depois deveria revisar o conteúdo para o teste do dia seguinte. Ariel ficou sentado também. Meu celular tocou.

“ Oi, sou eu, Erika, não se importa porque eu peguei seu número não é? Como foi? Ele falou com você? O que você disse?”

Fechei a porta com um fechar de dedos. Deixei no viva- voz, eu tinha que escrever. Ariel perguntou se podia sair, eu disse que ele podia ficar.

“ Ah, não! Eu sei que os dois estão a fim um do outro, mas nenhum tem coragem de tomar a frente. Não foi só isso o que aconteceu, eu tenho certeza. Meu foco jornalístico não se engana.”

“ Que bom que você é vidente… ”

“Não fuja do assunto. Eu sei que ele jogou verde, me mostrou até um certo presente… ”

Fiquei sem palavras, ela me chamou. Ariel mordia os lábios, provavelmente ele nunca presenciou um momento desses. Ele estava confuso, eu vi sua mente. Coitado.

“ Bom, conversamos normal. Ele me ajudou a lavar a louça. ”

“… e se declarou! Não é tão romântico, mas vale.”, ela ria.

“… perguntou porque sou quem sou e a gente quase, bom quase… “- interrompi minha fala, seriam informações demais. Mas, ela entendeu o que eu iria dizer e gritou eufórica do outro lado da linha.

“ Fala com ele. Vocês ficam lindos juntos!”

“ Erika, eu não posso…”, ela não ia entender. “… pode ser que eu esteja somente atraída, ele é lindo. E parece que ele não quer somente ficar. Olha preciso estudar. O senhor Gonçalo não tem boa impressão de mim, então preciso arrasar nessa prova. Conversamos depois . Tchau”

“ Tchau, chata”

Nem precisava dizer que aquela situação me deixou deslocada. Estudar matemática foi um saco. Após o jantar, lição de magia. Aprendi a reconstruir coisas, Ariel quebrou o meu violão. Aí não teve jeito. Eu tinha que aprender. Escrevi no meu livro.

“ Pai, não precisa vir me buscar. Hoje vou a biblioteca, preciso fazer umas pesquisas.”

“ Tudo bem. Mas esteja em casa cedo. Não quero que tenha uma recaída novamente. Qualquer coisa, me liga.”

O carro parou. Despedi-me do meu pai e do Gabriel. Desci, ainda faltava um tempinho para o início das aulas. Fui para a sala, guardei meu material e saí para o refeitório.

“ Preparada para o resultado do teste? O senhor Gonçalo disse que já corrigiu as provas de antes de ontem… “, disse Fernanda.

“… e como você parecia que não  estava aqui… “, completou Erika. Fernanda deu uma cotovelada nela.

“ Estou com uns probleminhas… “, disfarcei. Pisquei os olhos fortemente.

Erika ficou calada por um instante. Olhava para além de mim, nem precisei virar. Olhei em seus olhos e vi nitidamente Maurício e Bianca de braços dados. Os dois se aproximaram da nossa mesa. A loira, estava com um ar triunfante, colocou uma bandeja com seu café na mesa.

“ Oi, Gabriella”, ela disse. “ Senta, Maurinho, afinal, são seus amigos “. Ele sorriu incomodado.

“ Olá. ”

“ Já vai? Ah, fica mais um pouco…”, sua voz era melosa.

“ Ô, macarrão escorrido! Ela vai para onde quiser. “

“ Calma, Erika” Eu tinha que sair, precisava impedir que o capitão do time de futebol entrasse no refeitório. Levantei novamente, Bianca me puxou pelo braço. O refeitório ficou em silêncio. Mirei bem nos olhos dela, mentalizei que ela ia me soltar e ela o fez.

Já não dava mais tempo. Caminhei em direção ao Fernando que estava prestes a sentar em uma mesa com sua turma, digamos, “ os excluídos”. Peguei o seu braço.

“ Vem comigo.” Tarde demais.

“ Fernandinho, cadê você? Ah, aí está “, disse o capitão do time de futebol abrindo as portas do local. Três amigos dele logo atrás, um com um presente nas mãos, o outro com um tacho cheio de molho. “ Eu quero pedir desculpas”.

Fernando parou. Chamei-o novamente. Ele pensava que tudo ia acabar ali. Todas as armações. Todos pensavam assim e paravam o que estavam fazendo, menos eu.

“ Eu trouxe isso pra você”, ele entregou a caixa.

“ Obrigado “, ele sorriu, mas depois mudou de expressão.

“ E aí gostou?, ele puxou o protetor “ Quero pedir desculpas por ter feito isso com o antigo. Ele puxou do tacho outro.

“ Deixa ele!”, empurrei-o. Inútil. Ele não se moveu.

“ Sai do meio, gatinha. Suas garras não me arranham”  ele me empurrou, Maurício puxou-o e deu-lhe um soco, no momento que os comparsas de David seguraram o meu defensor para o líder bater, o diretor chegou.

A diretoria era tenebrosa, móveis antigos, feixes de luz com poeira passavam pelas janelas, cortinas amarelo-escuro. Um local totalmente contrastante  com o restante da estrutura da escola. O senhor “ vicking “, ou melhor, Gonçales um homem careca, gordo que mais parecia o Hagar, só que sem a barba. Nos levou para lá, quero dizer, David, Igor, Marcelo, Felipe, Fernando, Maurício, Erika ( por ser a jornalista ) e eu.

Ficamos em pé, um do lado do outro. O diretor sentou-se na mesa, uniu os dedos das mãos e nos olhou inquisidoramente.

“ Bom, o que aconteceu?”

Todos começaram a falar, menos eu. Se eu tivesse ficado na minha…. claro que não, eu fiz bem, “bem para quem” era a pergunta, estávamos na diretoria.

“ Já mandei chamar os pais de vocês. É bem mais fácil se uma só pessoa me contasse o que realmente aconteceu. “

Erika adiantou-se. Ela não tinha nada a ver com o assunto. Olhamos para ela.

“ Diretor, uma só palavra: bullying. É… o senhor pensa que essas coisas só acontecem com os outros. Não… esse brutamontes ficam aterrorizando a vida do Fernando e nada acontece com eles. Cuidado se o conselho tutelar descobre o seu cargo já era.”

“ Que tal começar do interno, senhorita Camargo? ”

“ Ei… senhor diretor posso falar?”- pedi permissão.

“ Ah, senhorita Cavalieri já ouvi falar sobre sua condição aqui na escola. O que quer dizer?”

“ O David estava humilhando o Fernando em frente toda a escola e a gente só tentou acabar com aquilo. Eu … acho que foi…isso,” estremeci.

“ Por acaso não ocorreu-lhe que isso é um assunto da direção?” ele foi severo, “ Senhor Stevan, o que aconteceu?. “

O nerd olhou para todos em volta. Quase não acreditei no que ele ia falar. Mentalizei o que acontecera. O Fernando não poderia dizer que nada aconteceu, o medo não podia dominá-lo.

“ O que já disseram. Eles pegaram meu protetor e colocaram dentro do molho que ia ser servido no almoço e me deram um novo, senhor” ele tampou a boca assustado. Sorri, satisfeita. Só o Maurício viu, quando o percebi parei.

“ Muito bem. Voltem para a sala. Vocês do time, não.”

Quando saímos nossos pais estavam na recepção. Não pudemos falar com eles. Quando entrei na turma, eu a vi. Sentada atrás da minha carteira, uma garota ruiva , corte channel, “ PROBLEMA “, pensei. Sei lá, eu deveria ter cuidado perto dela. Não sei porquê. Só senti isso. Já estávamos no início da segunda aula. Bomba: as notas de matemática. “ 6,9 “, não era justo. Olhei para o professor . “ Estude mais” , ele disse. Conferi meus cálculos a nota era sete.

Quando acabou a aula, fui até a mesa do professor. Ele falou que eu não sabia diferenciar um nove de um quatro e que aquilo contava sim porque outra pessoa não ia me procurar pra saber se o número que escrevi era um quatro ou um nove. Fiquei chateada, peguei minha mochila e saí. Escutei aquela música do colar del. Meus livros caíram, apanhei-os corri para a outra sala, estava atrasada.

No recreio, encontrei o capitão do time de futebol. Ótimo, mais uma pessoa que me odeia. Ele me colocou na parede, literalmente.

“ Olha  aqui, gatinha. Garotas como você não devem se meter em certos assuntos. Se não tivesse se metido, eu poderia até fazer o favor de ficar com você.”- ela cheirou o meu cabelo. Aquilo me irritou profundamente.

“ Dispenso”  baixei os braços que me prendiam na parede, ele me puxou  para perto de si.

“ Solta ela!” falou Maurício com uma bandeja em mãos.

Os dois se encararam, bem próximos, cara a cara. David saiu Maurício colocou sua bandeja com o lanche sobre uma mesa e saiu me puxando pelo braço até sairmos do refeitório por uma porta lateral. Fazia sol lá fora, próximo aos jardins da escola, não era primavera, mas o verde dominava.

“ Você quer parar de se meter em encrenca? “

“ Me solta! E você para de ser o Super- Homem! Que coisa, hein.”

“ Se você parar de dar uma de Mulher Maravilha… O que está acontecendo? Ei, não foge não!”, ele me segurou perto dele.

“ Para de fugir, você parece um animalzinho amedrontado. Você finge que não está nem aí, mas na primeira oportunidade sai defendendo as causas dos outros. Você faria isso por mim?”

“ Você acha que eu quero dar uma de heroína… “

“ E só não salva você mesma. Cansei de brincar”  sua voz era séria, firme. Mas os seus olhos tão serenos, tão profundos. Senti que ele queria me beijar e…eu queria que aquilo acontecesse.

“ Ótimo! GAVE OVER”,soltei-me dele. Ele correu de novo, sua respiração era ofegante. Dessa vez eu não conseguiria me soltar sem usar meus poderes. Tentei o “ Você está me machucando “, não deu certo.

“ O jogo só acaba quando eu disser que acabou. Cansei desse esconde-esconde, por favor, seja sincera em seus sentimentos. Chega de ser o cavalheiro, o paciente…”

“ Que bom. Não estou a fim de ser princesa de ninguém.”

“ Vamos ver”, ele me trouxe para perto de seus lábios e me beijou. Eu não poderia resistir. Ficamos tão perto um do outro, tão unidos que eu não pretendia me soltar jamais. Seu beijo era suave como o sentimento que nos unia. Aleja apareceu na minha mente, me repreendeu. Usei moderadamente os meus poderes, ele não perceberia.

“ Você não podia…”

“ Mas, eu queria…”, ele tentou fazer com que eu ficasse. Então percebi que o mundo era muito injusto comigo.

“ Querer não é poder “, sai correndo para o banheiro. Olhei-me no espelho, levei minha mão a boca devagar, tentando acompanhar cada linha. O meu primeiro beijo não foi igual àquele. Era diferente. Sai correndo pelo corredor, tropecei na Fernanda.

“ Ei, calma. Para onde está indo?”

“ Vou para a sala” respondi assustada.

“ A próxima aula é para lá. Vem comigo acho que você não está bem”.

Entramos na sala, ela pegou os seus livros e colocou na carteira ao meu lado. Ficamos lado a lado, já que as carteiras eram em duplas.

O professor de literatura começou a ler o livro.

“Precisa de alguém para conversar? “ela cochichou. Sua voz era tranquilizante, parecia que ela sabia o que eu necessitava.

“ O que você faria se tivesse que escolher entre o que você quer e o que é necessário? “

“ Eu faria o necessário…”

“ Mesmo que isso te doa? “

“ Sempre há um meio termo. O Maurício te beijou não foi?”

“ Como sabe?”

“ Sua respiração está desregular, sua pressão diminuiu e agiu como uma fugitiva… Eu também estava no lugar errado e na hora errada…”

“ E isso mexeu comigo. ”

“ Só não esqueça quem é você, “ela sorriu. Página 48, parágrafo 8, linha 13″, ela disse.

“ Senhorita Cavalieri, continue a leitura, “ o professor me encarou.

… Penso que é mais duvidoso; ou você é mais hábil. Há de ser isso. Naturalmente parece-lhe fraqueza amar – isto é, a coisa mais natural do mundo – a mais bela – não direi a mais sublime. Os homens sérios têm preconceitos extravagantes. Confesse que ama, que não é indiferente a esse sentimento inexprimível que liga, ou para sempre, ou por algum tempo, duas criaturas humanas. ”

XXX

“ Mestre o que faremos?”

“ Esperar a noite cair. Já sabemos quem ela é….Gabriella, já estou chegando. “

“ O que o senhor pretende fazer?”

“ Dar a ela as boas vindas… no melhor pesadelo.

O mestre de capuz preto, abriu as mãos levemente e, entre elas , apareceu Gabriella exatamente onde ela estava : na escola. Sentada na carteira, batendo com um lápis na mesa.

“ Ela se parece muito com Aleja. Tão tola…” ele soltou uma gargalhada aterrorizante e sumiu na forma de uma sombra.

Finalmente o Caliban descobriu o que queria. A transformação de Gabriella esclareceu muitas coisas, mas dificultaria caçada. Duas metades, duas chaves. Quem ficaria com o controle da dimensão mágica? A verdade é que todos sabiam que um grande combate estava prestes a ocorrer. Todos os seres mágicos o sentiam e também estavam cientes que Aleja havia voltado ou Gabriella havia despertado. Eles podiam até não saber quem era, mas se a vissem certamente a cumprimentariam e a reverenciariam. Todos concordavam que os guardiões eram mais poderosos que o próprio rei, pois eram eles que batalhavam em defesa da dimensão. A realeza era mera convenção.

Ariel ficou em casa, entediado, cansou de ir à escola com Gabriella. Para se divertir, fez o almoço de Angélica dar errado, mas ela o fez consertar ameaçando-o com o feitiço da banição que ela sequer sabia fazer. Entrou no quarto de Gabriel recordou-se de sua infância. Queria ser humano como o garotinho, mas era impossível. Bom, poderia tentar. Ele preferiu ficar em casa porque da última vez que foi a biblioteca, ele desapareceu. Ariel não entendia como ele desaparecia  do nada.

Andou de um lado para o outro. Conversou com Angélica, ela contou o que a filha tinha aprontado na escola. Ele mostrou sua foto para ela, a mulher pediu algumas explicações, ele contou o que lembrava da sua vida. Mas, sobre sua morte , nada.

Amanda começou suas investigações  na escola e quem seria sua melhor fonte? Sim, Erika. Na saída, as duas conversavam. A jornalista tentou apresentá-la a Gabriella, mas esta disse que estava atrasada, Maurício tentou o mesmo, sem sucesso.

Ao chegar à biblioteca, a garota procurou a velha senhora que a atendera da última vez. Em seu lugar, havia uma mulher de no máximo 30 anos, loira com o cabelo no coque, alta, terninho preto, saia até o joelho e um escurpan. De fato, parecia modelo, não bibliotecária. Gabriella disse que havia uma senhora, a mulher retrucou, ela era a única naquele estabelecimento. !Tudo bem”, disse Gabriella.

Antes de continuar sua busca, ela resolveu percorrer todo o perímetro do local.Subiu as escadas em forma de espiral, madeira antiga, tom avermelhado. Na subida, mais e mais livros em estantes. Chegou ao primeiro andar. Enormes estantes empoeiradas, algumas mesas dispostas à frente delas, todas as estantes paralelas, do primeiro andar, podia se ver o térreo já que o piso possuía o centro recortado de forma que, lá embaixo, a biblioteca podia ver as mesas lá de cima.

O cheiro de papel e madeira velhos incomodava um pouco, nada que cinco minutos de exposição não resolvesse. Gabriella continuou a caminhar, lembranças vieram à sua mente: Homens e mulheres vestidos para baile, roupas elegantíssimas, dançavam no centro do térreo, lá de cima, ela podia vê-los bailar suntuosamente. Onde ela estava, viu pessoas conversando, um grupo de jovens exibiam varinhas, entre eles, Ariel. Eles sorriram e acenaram para ela chamando-a, a garota sorriu e quando olhou para si mesma,viu-se trajando um vestido azul-turquesa de mangas fofas e saia “ abaloada”, ela utilizava uma peruca branca assim, como todos os outros, seu penteado era um coque alto, com algumas mechas caindo. Ela correu até eles e quando chegou estava no mesmo lugar que havia entrado. Caminhou em direção a um corredor onde a placa indicava  “ História da cidade”, aleatoriamente, pegou um livro de capa preta, abriu as páginas amarelas . Uma página chamou sua atenção. A gravura ali representada era um salão de festas que se localizava onde naquele momento, existia uma biblioteca centenária. A garota leu e descobriu que aquele salão era frequentado em dias de grande festa, principalmente, chegada de famílias poderosas àquele lugar, onde eram apresentadas à sociedade. Após um incêndio, as ruínas foram reconstruídas  e o imóvel tornou-se um arquivo de livros.

“ Bons tempos.”

“ Você de novo? “

“ Esqueceu que estou dentro de você?”

“ É impossível, mas eu queria.”

“ Este dia, foi o dia em que conheci Ariel. Minha família estava sendo apresentada à sociedade. Chegamos da fronteira externa, uma guerra era eminente, mas as convenções exigiam. Um grande baile, sem dúvida. Estavam felizes…os guardiões sempre obtiveram êxito, as duas famílias eram unidas. Tanto que a cada geração, um representante era escolhido de cada para serem os guardiões. Estavam me preparando. Não era regra, mas os dois sempre acabavam se casando. Talvez porque não tinham chance de conhecer outras pessoas…”

“ Se você se lembra de tudo isso, por que eu tenho que pesquisar? “

“ Eu passei 200 anos em uma dimensão paralela, nem viva nem morta. Só me lembro de reviver algumas coisa, sem ver, sem sentir… Estou como Ariel. “

“ Ótimo. Mais essa.”

“ Por que me odeia? Era só não ter dito que sim. “

“ Você não deu escolha, lembra? Aliás, faço isso por Ariel, não por você. Você é má. “

“ Desculpe.”

Aleja deixou-a só. O celular tocou, a bibliotecária apareceu lá embaixo, fez gesto de silêncio. A garota desligou-o. Começou a ler.

XXX

“ Não vá, por favor,”  ele me pediu quase implorando.

“ Eu só vou caminhar com a minha mãe. Hoje é sexta-feira, que mal há?” perguntei ao pegar o trinco da porta.

“ É perigoso. Não, hoje. Deixe para ir outro dia. Sinto que  a senhorita corre perigo, “ sua voz era angustiada.

“ Acredite nele” disse Aleja.

“ Tudo bem”  saí para dizer à minha mãe que não podíamos ir. Como sempre, ela foi compreensiva. Voltei ao meu quarto.

“ Hoje nós vamos descobrir para onde você vai à meia-noite. Eu não vou dormir. Que tal armamos um plano de busca? Quem é? Ouvi batidas.

“ Sou eu, Gabriel. “

“ Entra.”

“ Gabi, a mamãe pediu pra você ir ajudar com o jantar . O papai ainda não chegou, então… “

“ Tudo bem. Já vou. O que houve?” percebi que ele estava com medo, tímido. “ Sabe que pode me contar o que quiser.”

“ Você acredita em fantasmas?” ele se aproximou dos meus braços que estavam abertos para abraça-lo. Fiquei com um joelho no chão para me apoiar. Pensei um pouco.

“ Por que a pergunta?”, sorri desconfiada ao ver uma mecha branca.

“ Eu vejo dois. Um do lado da porta olhando para a gente e o outro dentro de você. Eu estou com medo. “Toquei a sua testa, ele adormeceu. Levitei-o até seu quarto.

Depois, fui ajudar a minha mãe. Contei sobre o Gabriel, meu pai chegou,mudamos de assunto. Abracei-o e beijei-lhe o rosto. Charles chamou Eduardo lá fora. Ele foi atendê-lo colocamos a mesa. Meu pai explicou o motivo de sua demora, a escola de música estava com problemas, muitos funcionários estavam sendo “ cortados”. Fiquei preocupada, queria ajudá-lo, como?

Após o jantar, lavei os pratos muito rápido. Ariel me ensinou que quando se trata de coisas diárias, era só eu pensar que elas simplesmente aconteciam. Incrível! Contei-lhe eu conseguia induzir as pessoas as pessoas a fazer o que eu queria. Meus pais estavam conversando no escritório, creio que os cochichos, mas eu sabia que era problemas financeiras. Eu os vi oferecendo a casa como garantia em um sonho…visão.

Ao menos posso dizer que tenho problemas normais, nada que a magia resolvesse. Contas são chatas, mas naquele momento para mim eram alegrias, algo unicamente humano. Gabriel dormia profundamente, depois eu resolveria  o nosso assunto. Entrei no quarto, tranquei a porta.

“ O que a senhorita realmente quer?”

Aconteceu algo estranho comigo. De repente, Aleja saiu de dentro de mim. Éramos idênticas, só que ela era um…espírito, fantasma, projeção astral? Perguntei como, ela respondeu que podia fazer isso quando quisesse, ela podia ir e vir, mas como era muito perigoso, o mais sensato era que ficássemos unidas, porque eu era a parte dela viva. O encontro dos dois foi estranho. Eles se olharam e mais nada. Sabiam que trabalharam juntos no passado, mas Ariel não tinha tanta lembrança de Aleja como ela tinha dele. Se Ariel soubesse que se sacrificou por amor aquela garota…

“ Há algum feitiço de volta ao passado? Assim poderíamos voltar à noite de sua morte” e descobrir onde estão as partes.

“ Isso é impossível agora. Você é nova nesse assunto de magia. “

“ Vocês vivem dizendo que eu sou muito poderosa, que isso é inédito até mesmo para vocês e, agora que eu quero usar todo esse poder não posso? “

“ Só se a senhorita quiser destruir tudo. Lembra da sua primeira lição? Eu quase morri de novo.”

Eu sorri. Repentinamente lembrei da esfera. Peguei-a na bolsa.

Anúncios
0

Amor e Música

Oioioioioi pessoal!!!

casamento

Final de ano chegou e com ele muitos casamentos também *–* E quando consigo juntar duas coisas que amo:  um lindo romance e uma boa lista de músicas (tudo bem, acrescentem docinhos na lista também), o mundo pode acabar que vou feliz hahaha Brincadeiras à parte, algumas vezes fico responsável por cuidar da música ❤ A verdade é que já tenho uma lista pronta, mas de acordo com o gosto dos noivos dou aquela variada básica, afinal, além da decoração, do bolo, a playlist também tem que sair com a “cara” deles. Separei 25 músicas nas versões que amo para vocês se inspirarem (é só clicar no nome):

  1. All of me – John Legend e Lindsey Stirling.
  2. Free Fallin’– John Mayer.
  3. Sugar– Maroon 5  cover by Tyler Ward.
  4. What Heaven Sees In You– Doug  and Sherry Walker.
  5. You and Me– Lifehouse.
  6. Ela e Ele – Sandy Leah.
  7. Daughters– John Mayer.
  8. Counting Stars– One Republic ( Alex Goot, Kurt Schneider, Chrissy Constanza Cover).
  9. For the Love of a Woman– Jericho Road.
  10. Escolhi te Esperar– Marcela Taís.
  11. Thinking Out Loud– Ed Sheeran.
  12. Never Gonna Be Alone– Nickelback.
  13. As Torres do Templo– Jenny Phillips.
  14. A Thousand Years– Christina Perri.
  15. And I Love You So– Elvis Presley.
  16. À Moda Antiga– Lu Alone.
  17. Be Strong With Me– Jenny Phillips.
  18. Tenerife Sea– Ed Sheeran.
  19. Dona da Voz– Banda Malta.
  20. Feliz para Sempre– Jenny Phillips.
  21. Can I Have this Dance– High School Musical 3.
  22. I Will– Paul McCartney.
  23. Espera por Mim– Marcela Tais.
  24. Heart Like Yours– Willamate Stone.
  25. Versos Simples– Chimarruts by Carina Mennitt.

E vocês? Quais músicas indicam?

 

0

Sobre nós e as gravatas…

Oioioi gente!!!

 

Aqui estou novamente. Há mais de três meses não posto nada para os rapazes, mas em breve isso mudará (isso faz parte dos planos para 2016 do blog que agora não contarei agora, mas garanto que será da hora). Não sei vocês, mas uma das coisas que mais me chama atenção no vestuário masculino, sem dúvidas, é a gravata. Quem me conhece sabe que “pego muito no pé” de quem usa hahaha. Então pensei em fazer esse post.  Vocês sabiam que a gravata é uma adaptação francesa de um elemento do vestuário do exército da Croácia? E que o nome vem de cravate, uma palavra também croata? E que pelo toque dá para saber se ela foi feita à mão ou não? Bom, vamos às dicas de hoje. Espero que gostem 🙂

Tipos

1) Gravatas slim ou skinny (5-6,5 cm)

Elas não eram tão conhecidas, mas depois que ocuparam os tapetes vermelhos do mundo das estrelas, caíram no gosto dos homens. Embora eu tenha percebido certa relutância quanto ao seu uso por parte de alguns rapazes. Ideais para ocasiões festivas acrescenta um ar bem jovial e descontraído. Mas, atenção: o recorte do terno tem que ser slim também ou nada feito.

Dicas de nós: duplo, Windsor ou meio Windsor.

2) Gravatas médias (6,5- 8 cm)

media

O bom da moda é que sempre há um meio termo hahaha. Essa é a dica do dia a dia, quando a ocasião não é tão formal, mas também não é informal demais (festas e trabalho também estão valendo). Ela confere um ar jovial, mas nem tanto.

Dicas de nós: duplo, Windsor ou meio Windsor.

3) Gravatas Clássica ou Standard (8-9,5 cm)

standard

Chegamos no clássico das gravatas. Tradição seria um bom nome para ela em todos os sentidos.  Geralmente são feitas de seda tecida ou tecido espesso e padronagem clássica. Utilizadas mais no trabalho, dão elegância e digamos que até “poder” para o homem que sabe bem como combiná-la com o restante do traje.

Dicas de nós: simples, duplo, pequeno, Windsor ou meio Windsor. Se o tecido for mais espesso: nó pequeno ou simples.

Gravata borboleta

Ela não é tão comum por aqui, mas convenhamos é um charme. Que o diga meu cunhado hahaha.  Presente no mais alto padrão black-tie é indicada para casamentos e bailes de formatura.

Dicas de nós: como o próprio nome já diz o nó tem que ser  o borboleta.

Cores:

estampas.jpg

Pois bem, vamos às cores. Para eventos formais em que o homem precisa ser notado, o tom da gravata deve contrastar com a roupa. Durante o dia, os tons médios. À noite, os tons sóbrios são uma boa aposta. As estampas são bem vindas dependendo da ocasião.

Cuidados:

Se você quer dar uma vida longa a sua gravata, proteja-a na hora de comer, de se perfumar e nunca, jamais sob hipótese alguma passe o ferro! Mas caso não haja jeito (só se não houver mesmo!)…fica a dica:

1- Use o vapor do ferro. Não precisa encostá-lo no tecido;

2- Se não der jeito, use o ferro no modo “tecidos finos”, coloque um pedaço de cartolina no meio da gravata para não amarrotar;

3- Se for seda, use um paninho limpo de algodão entre ela e o ferro.

Guarde-as estendidas (ou enroladas no caso de um estojo de gravatas) sem o nó e ela te acompanhará por um bom tempo.

cuidados

Depois de tudo isso, fica a pergunta: qual a sua gravata preferida?

0

Faça o favor!

fav2

 

Quando eu era adolescente, havia uma pessoa que sempre me importunava. Eu havia mudado de escola e parecia que meu perfume só podia ser ele atraía gente assim aonde quer que eu estivesse. Achava que aquela seria minha sina, sair e me esconder para chorar com o que me falavam, cada palavra ressoava em mim e me feria mais ainda. Era sempre outras pessoas que me defendiam, até que um dia, com a ajuda de uma grande amiga consegui mudar essa situação e a sensação que tive foi a de que eu havia ganho asas e finalmente estava livre.

Eu deveria fazer o favor de parar de sentir pena de mim e falar! Ou eu viveria para sempre submissa aos outros que fariam e aconteciam em cima de mim. Foi uma das grandes escolhas da minha vida. No dia em que me defendi pela primeira vez, as pessoas olharam para mim assustadas como se eu não tivesse esse direito. A verdade é que ninguém gosta e nem está aqui para ser pisado. Ninguém merecer servir de show para ninguém.

Isso não quer dizer que você vai machucar alguém com isso, isso quer dizer que você é forte o suficiente para não permitir que te pisem. Por trás disso está envolvido uma boa dose de amor próprio e uma pitada de auto estima.

Quando você se submete a algo, está desacreditando no seu valor e negando a si mesmo. Quando você passa a acreditar nas mentiras que falam sobre você, você faz apenas o essencial, não se arrisca, corta suas próprias asas. Quando você permite que alguém te destrate está assinando um termo para que isso aconteça várias vezes. Quando tudo isso acontece, você desiste de si mesmo.

Tomar essa decisão de fazer o favor a mim mesma me abriu caminhos, eu passei a ser ouvida, já não era desconsiderada pela maioria das pessoas, fui perdendo boa parte da minha timidez (que não era timidez, mas medo). Fiz o favor a mim mesma de me permitir crescer. E parece que deu certo.

2

A melhor amiga da mulher: A CALÇA!

Oioioioi pessoal! Tudo bem? Espero que sim 🙂

Quem me conhece sabe que amo calças hahaha praticamente não uso outra coisa durante a semana. E não importa o tipo, não tenho preconceito. Já tive calças dos mais variados estilos (para desespero do meu pai ao me ver vestida em modelos como saruel e boyfriend). E é sobre elas que vamos falar, sei que ando devendo postagens de looks de formatura e de casamento, mas como ando pensando em renovar meu estoque pessoal, nada mais justo 😉 Trouxe para vocês as minhas preferidas. Espero que gostem.

1- Boot Cut

bootcut

Essa é aquela calça que se parece com a flare, mas não é flare! A diferença está na abertura que, nesse caso, começa abaixo do joelho. Qual a altura certa? Ela termina no peito do pé, mas isso não quer dizer que ela deve sair varrendo o chão por onde passa.

2- Flare

flare.png

Mesmo quando ela não estava de volta nas passarelas, eu usava. Porque eu amoooooo. Quem achar que a semelhança é mera coincidência, não ache mais, porque ela é a repaginada da antiga boca de sino (aquela dos anos 70).

3- Pantalona

pantalona

Acho essa calça um luxooooooo! Começando pelos tecidos finos  e pelo corte. Ela vai alargando até embaixo. E como hoje, a moda está democrática, então dependendo do seu tipo de corpo, pode optar por um tipo diferente de tecido. Toda mulher deveria ter uma dessas porque é a cara da riqueza, não tem como você não se sentir poderosa.

4- Alfaiataria

al

Essa é aquela calça que dá para passar o dia com ela apenas variando a blusa. Foi-se o tempo em que ela era usada apenas para o trabalho formal. Sua modelagem  é reta, geralmente de tons sóbrios (isso não quer dizer que não existem coloridas) e os tecidos remetem ao terno masculino que é, digamos, o “pai” desse tipo de calça.

5- Cenoura

calca cenoura

Sabe aquela calça que é larga nos quadris e coxas e justa nas pernas? Prazer, essa é a calça cenoura! Cuidado para as baixinhas não comprarem calças muito justas nas pernas porque dá o efeito contrário do que ela mais querem: parecerem mais altas.

6- Saruel

calca saruel

É  aquele tipo de calça que é justa nas pernas, o gancho é mais baixo e provavelmente a sua avó vai dizer que não é calça de mulher hahaha. Já as vi das mais variadas cores e estampas, e sou encantada pela versão masculina que deixa os homens com o visual mais descontraído e moderno.

7- Boyfriend

boyfriend.jpg

Na primeira vez que usei uma, meu pai perguntou:”Essa calça é minha?” hahaha Gancho e cavalo mais baixo, lavagem mais “pesada”, corte mais folgado. Ela dá a impressão que alguém andou mexendo no guardarroupa do namorado, mas a informação não procede, ela pertence ao mundo feminino! 🙂

8- Skinny

skinny

Se houvesse uma eleição para a calça da mulher brasileira, seria essa. Motivo? Cintura baixa, justa no corpo… conferem um ar de sensualidade à mulher. Quem não tem uma dessa?

9- Legging

legging.jpg

As más línguas dirão que é roupa de academia. Na verdade ela começou lá mesmo: de malha, colada ao corpo para dar mobilidade e flexibilidade. Maaaaaas, ela saiu de lá e dominou o mundo. Mudaram os tecidos (já ouviram falar na Jogging?), as cores e hoje em dia já estão nos mais variados espaços.

10- Cropped

cropped

Essa é super versátil, porque dá para dobrar a barra de uma calça sua ou cortar e tchanram: uma nova calça para se usar. É aquele tipo que deixa os tornozelos a mostra, vai bem com salto, rasteira, descalça hahahaha. Dá para varias nas cores, tecidos, estampas. Podemos dizer que ela é coringa!

 

E agora? Já deu decidiu qual não pode faltar no seu armário? Nãaaaaao? Você não é a única nesse barco. Estamos juntas!

Espero que tenham gostado 😉

 

 

0

CAPÍTULO VI DESCONTROLE

Aquilo já estava entediante, confesso. Porque não transferiram para o computador aqueles antigos arquivos? Papéis amarelos quase transparentes de 200 anos! Sentei na mesa de cedro vermelha, abri o primeiro arquivo, Ariel ficou ao meu lado. Seu queixo estava um pouco acima do meu ombro.

– Então, o que achas?

– Que tudo isso é muito chato. – continuei a folhear, o início da cidade no primeiro volume de outros cinco. Que interessante a primeira casa da cidade ficava no centro do que hoje é o parque. Creio que não sei mais nada.

– Acho que isso deve ter sido criado há uns 500 anos atrás. Quando eu era criança comprava doces nessa casa . Eu me lembro! Pertencia a uma fada decaída, acredite se quiser ela tinha 830 anos. Quando ela recebeu o direito de voltar a sua terra, o prefeito que era conde de  Voltarianôn, um vampiro, derrubou a casa e fez com que fadas e duendes construíssem um parque para homenagear a fada que gostava de muitas plantas. Bruxas e feiticeiros se uniram para continuar o plano do conde. Organizaram as ruas de tal forma  que, do exterior para o interior qualquer uma das ruas leva a praça que é o centro da cidade. Os humanos adoraram a idéia do conde e construíram suas casas. Vivíamos harmoniosamente só tínhamos que respeitar uma regra: humanos e criaturas mágicas não poderiam constituir família juntos. Eu tinha uns 10 anos e minha família era a mais poderosa da região. Eles guardavam a cidade por dentro.

Quando os humanos viram que não eram como a gente passaram a nos perseguir e com a ajuda do Caliban, eles se tornaram fortes. Pelo lado de fora, sua família era responsável pela segurança…

Aí, parei de prestar atenção na história e passei a observá-lo. Seus olhos estavam fechados, mas a sua fisionomia estava tensa, as sobrancelhas unidas. A dor estava em seu rosto, aquelas lembranças doíam para ele. Houve um silêncio, desviei minha atenção por um momento e Ariel havia sumido.

“ Ótimo, um fantasma que não consegue lidar com o próprio passado “.

Meu celular passou a vibrar, era o Maurício. Ele perguntou se eu estava bem após o episódio da cantina, respondi que sim, o garoto pediu para que eu o encontrasse na praça as 20:00hrs.

Terminei minhas pesquisas daquele dia. Fechei os livros leve-os até a bibliotecária que me elogiou por ser jovem e me interessar pela história da cidade. Ao olhar em seus olhos, vi uma duende. Tirei o olhar e pisquei forte, quando ela pegou no livro, seus dedos gelados deslizaram um pouco até tocar a minha mão. Ela virou a palma delas e colocou a sua sobre a minha. Uma pequena esfera do tamanho de uma pérola, saiu da sua mão e caiu na minha. A idosa olhou por cima dos seus óculos preto de armação grossa e disse:

“ Não sabe o quanto estou feliz por vê-la novamente, Aleja “.

Confusa, corrigi-a dizendo que meu nome não era Aleja,mas por um momento eu não sabia quem eu era, esqueci até do meu nome. Sorri contrariada, e falei que me chamava Gabriella, quer dizer os outros me chamavam assim.

“ Eu sei, Aleja “.

Tentei consertá-la novamente, aí pensei que não adiantava, desejei uma boa tarde a senhora e guardei o item na bolsa. Ao sair da biblioteca, o Sol me fez piscar um pouco. Era por volta das quatro. Decidi voltar a pé para casa, quinze quarteirões não era tão longe. Apertei meu caderno e meu livro de magia contra o peito e saí caminhando e pensando em matar o Ariel, mas desistir. Como matar um fantasma?

A cidade estava movimentada. Apesar de interiorana, Opala era um lugar legal construções estilo século XX aderida ao moderno do XXI tornava-a atraente, aí me “ toquei “ que a esfera era de opala, coincidência ou pista? Eu tinha raízes naquela cidade, no entanto, nunca haia estado lá. Enquanto caminhava me aproximava de um grupo de jovens. Eles me chamavam, resolvi pegar uma outra rua. Um deles se adiantou. Ele era alto, usava um gorro preto de algodão na cabeça que tinha umas bolas brancas, devido ao uso intenso, jaqueta preta com uma blusa verde por baixo. A barba estava por fazer, devo confessar que, se ele não fosse suspeito, eu poderia até dar-lhe uma chance, se eu não fosse tão tímida.

Certo. Você deve se pensando. Porque ela não entrou em algum lugar? Bom, numa situação de luta ou fuga não dá para pensar muito. O medo congelou o meu cérebro, todo o meu corpo estava em alerta, mas não havia sistema de segurança. A rua na qual entrei, era deserta. Isto sim, eu chamo de falta de sorte. O grupo estava me alcançando, virei na mesma direção dele. O rapaz que se adiantara, aproximou-se um pouco.

“ Passa o que tiver de valor “, ele apertou o meu braço. Um vento muito forte penetrou naquela rua. Os meus cabelos voavam para trás.

“ Não me toque e se afaste de mim “, falei encarando-o. Senti que ele estremeceu e que aquele poder vinha de mim.

“ Cara o olho dela tá branco! “, o rapaz me soltou horrorizado.

Aquela altura, meus pés afastaram do chão e passei a flutuar a uns centímetros da terra firme. Era uma força poderosa, me curvei para frente um pouco e quando voltei a posição inicial, ela saiu de dentro de mim. Os cinco garotos foram arremessados contra a parede, o lixeiro virou, as lâmpadas queimaram uma a uma como se fosse uma onda. O impacto foi tão grande que eles ficaram desacordados.

Também caí, de joelhos, meus braços apoiaram o resto do meu corpo, olhei para o chão. Aquilo não poderia estar acontecendo. Peguei minha bolsa, meu caderno, meu livro. Levantei e olhei para todos os lados, para certificar que ninguém vira o ocorrido. Mas, vi o mesmo garoto da escola, na esquina, me olhando, todo de preto. Gritei para ele me esperar, quando pisquei, ele havia sumido. Tudo bem, aquele garoto mexia comigo.

Cheguei em casa, minha família estava na sala. Entrei indiferente, não respondi aos seus cumprimentos. Subi as escadas cabisbaixa. Tranquei a porta do quarto. Minha mãe subiu logo em seguida, bateu. Quando abri fui logo abraçando-a em lágrimas, contei que estava com medo. Narrei o acontecido e relatei o episódio com a bibliotecária. Ela perguntou por Ariel, respondi que ele havia sumido.

Abri a bolsa e joguei os livros sobre a cama, tirei a pequena esfera e coloquei dentro de um porta-jóia  de porcelana com flores em alto relevo, resolvi banhar para refrescar a cabeça. Liguei o chuveiro e deixei a água cair.

Quando saí de roupão e toalha na cabeça, encontrei aquele fantasma covarde, ele acabara de atravessar a parede.

“  Preparada para a lição de hoje? “

Tirei a toalha da cabeça e joguei nele, nem preciso dizer que aquilo foi inútil. Encarei-o, coloquei a mão na cintura e soprei uma madeixa que caiu sobre o meu rosto.

“ Onde você estava? “ perguntei inquisicloramente, a resposta dele foi incriminadora. “ Com a senhorita, lembra? “.

“ Sai daqui, Ariel! “

Ele saiu, atravessou a parede, depois com parte do corpo ainda dentro do meu quarto, respondeu que morava naquela casa. Tudo bem, peguei uma roupa e fui ao banheiro. Quando saí, peguei meu óculos que estava sobre a cama, não o olhei. Fechei a porta quando virei tropecei no Gabriel. Pedi desculpas, quando saí, disse que meu quarto estava trancado Ariel perguntou para onde eu ia, não respondi claro. Desci as escadas até a cozinha e falei aos meus pais que eu ia sair, na sala Ariel trancou a porta, virei para ele, fiz careta, apontei o dedo indicador para a fechadura, a porta abriu, ele tentou me seguir, não conseguiu, sua foto estava dentro do meu livro de feitiços, estava preso.

As lâmpadas da rua queimaram, o tempo “ fechou “, um vento muito forte atingiu a cidade, eu estava com raiva.

Fernanda entrou em casa rapidamente, gritou pelo irmão que estava no 2º piso. Ele desceu rapidamente.

“ Precisamos encontrá-la! O Caliban vai aparecer! “, disse Charles pulando pelo corrimão.

Os dois saíram da casa e gritavam por Gabriella, mas ela não lhe deu ouvidos. Parecia não escutar, a vizinhança toda recolhia as crianças para dentro de casa, fechavam as portas e janelas. Trovões e relâmpagos tomaram de conta do céu. A chuva muito forte começou a cair aos poucos.

Eduardo, preocupado com a filha em meio aquele temporal inesperado, pegou as chaves do carro e saiu. Ariel também estava zangado as coisas dentro de casa começaram a voar. Angélica pegou o filho, Gabriel, em seus braços. O garoto chorava e estava com medo. Sua mãe não podia usar seus poderes, não na frente do menino, por isso, ela teve que fazer com que ele “ apagasse “.

Ela abriu a gaveta do armário e tirou seu livro, pedia para que Ariel parasse com aquilo, utilizou o feitiço da transferência, mas alguém teria que receber o fantasma. Utilizou o que parava o tempo. Refez as coisas que haviam quebrado e usou sua intuição para encontrar Ariel, aprisionou-o em uma garrafa transparente.

Enquanto isso, Eduardo procurava pela filha, ao longe, avistou-a caída no chão sua pulsação estava lenta. Levou-a até o carro, a chuva caía com mais força. Nuvens negras tomaram de conta do céu. Vultos escuros passavam pela estrada. Aquilo não era mais culpa de Gabriella. O Caliban se aproveitara disso para procurar pela guardiã, nuvens escuras se dividiam pela cidade causando um grande apagão quando entravam nas casas. Era o momento propício para encontrá-la, mas nada. Charles e Fernanda conseguiam despistá-los da avenida em que Eduardo vinha com sua filha. Bom, não havia problema algum, a guardiã não estava mais lá, Aleja não conseguia se encontrar com Gabriella mas, naquele dia , tudo mudou. Aleja só poderia ser capturada se a garota morresse. Agora, elas eram uma só, mais guardiã que uma estudante.

“ Está vendo só, Spoke? Eles realmente existem, veja que tempo, que atmosfera pesada. Eu não estou louca, como pensam “, disse Amanda segurando seu cachorrinho e olhando através da pousada na qual se hospedara. A garota correu e pegou seu bloco de anotações para escrever tudo o que descobrira.

Alguém bateu na porta, era a senhora que era dona da pousada. Aparentava ter uns 60 anos, 160 centímetros, cabelo com a raiz ficando branco, seu vestido era azul com florzinhas brancas. A garota abriu a porta e a anciã entrou, ela sentou-se na única poltrona que tinha no quarto.

“ A jovem por acaso não está fugindo de casa? “

“ Não. Meus pais permitiram “.

“ Então, a jovem que acabou de passar na televisão é sua irmã gêmea “.

“ A senhora ligou para os meus pais? “, ela virou o rosto de lado, meio receiosa.

“ Ainda não. Porque fugiu? “

“ A senhora não vai entender e ainda vai me chamar de louca. “

“ Acho que posso tentar compreender. “

Amanda explicou os seus motivos, falou que estava atrás daquilo em que acreditava. A velha sorriu e prometeu guardar segredo. Disse que a garota poderia ficar. Quando saiu do quarto, ela passou em frente a um espelho, mas não tinha imagem dela e sim de um gato preto de olhos verde-esmeralda.

Os metereologistas tentavam explicar aquela chuva inesperada nos jornais, mas assim como surgiu, ela desapareceu e várias pessoas também. A família de Maurício assistia ao telejornal reunida na sala. Pai, mãe e filho sentados no sofá sem entender bem o que acontecia. Alessandra levantou; foi para o seu quarto, abriu a janela, viu que uma nuvem negra estava prestes a entrar em sua casa.

“ Você sabe que não pode entrar aqui, mas se quiser arranjar problemas… “, ela falou para a nuvem que deu meia-volta e foi embora. Uma luz meio avermelhada passou a brilhar em seu colo, Alessandra retirou-a do seu corpo e deixou-a suspensa em suas mãos.

Maurício chamou-a batendo na porta. Ela teve que parar, a nuvem fugiu. Fechou a janela.

“ Me ajuda a colocar a mesa, querido? “

“ Tudo bem. “

Alessandra ainda abriu a porta  do quarto novamente e olhou uma outra vez, fechou-a. Desceu as escadas e foi servir o jantar.

“ Sim, não, tudo bem. Diga a ela que eu desejo melhoras. Boa noite, senhora Cavalieri. “

“ Algum problema? “, indagou a mãe lavando as mãos. “

“ A Gabriella saiu durante a chuva, o seu pai a encontrou caída no chão. O bom é que não foi nada grave, eu queria ir vê-la, mas ainda está desacordada. “

“ Cada vez mais tenho vontade de conhcê-la. Do jeito que você fala parece que essa Gabriella nem existe. “ a mãe sorriu ao ver o semblante apaixonado do filho.

“ De quem falavam?” perguntou Gonçalo. “ Não quero que você se envolva com nenhuma garota desta cidade, todas aqui só querem encontrar um marido que lhe dê um lar. Visão provinciana.”

“ Parece que as coisas não são bem como o senhor pensa… “

“ Alessandra, cuidado com o que anda colocando na cabeça do nosso filho, “ ele falou ao colocar arroz no prato. “

“ Querido, nosso filho já tem idade de saber o que quer. “

“ O que eu disse, está dito. Vamos comer e mudar de assunto. “

Eu estava lá ou alguém muito parecido comigo. Ela me chamava, aproximei-me.

“ Enfim, conseguimos nos encontrar Gabriella “, ela era linda e parecia comigo. A diferença era que seu cabelo era ruivo, ela usava as mesmas roupas com as quais eu sonhava. “ Sou Aleja, sua tataravó. “

“ Você não tem idade  de ser. Quem afinal, você é?, perguntei.

“ Eu sou você. Agora, somos uma só que você é mais guardiã que uma simples adolescente. Sua vida não será mais a mesma. Eu fui castigada, e causei tudo isso. Quis provar que os dois mundos poderiam se unir sim, paguei um alto preço ao me apaixonar por um humano, mas eu não me controlava mais. O Caliban passou a me dominar e o Ariel teve que lutar contra todo o nosso mundo para me defender. Só agora eu entendia que fui destinada, mas é tarde. Foi necessário 200 anos para eu entender que não posso lutar o que sou. Nesse, tempo fiquei nesta dimensão, como vê, aqui não existe nada. Melhorei e aperfeiçoei os meus poderes que, agora são seus. Consegui mudar o rumo natural das coisas, nisto o Caliban despertou. Como espírito, eles poderiam me aprisionar, então eu tive que vir até você. Entenda, agora é imortal, assim como as outras criaturas eram. Antes do medalhão ser quebrado, não precisávamos ficar de tempos em tempos reaaparecendo. A partir de hoje, você é a primeira de uma nova geração…

“ Eu não quero isso, quero envelhecer, ser uma garota comum. “

“… lembra da promessa? Ariel precisa de você, eu preciso. Permita-me reconstruir o que eu destruí, preciso de uma segunda chance. O medalhão precisa ser reunido, os aldeões voltarão para me julgar novamente, a dimensão mágica não pode cair nas mãos do Caliban. Eu estou com você, não se esqueça. “

“ Ainda não consigo me controlar, tenho muito o que aprender. Queria poder escolher, mas não posso. Por que eu? Você não tem esse direito. Os seus erros não me dizem respeito. “

“ Você está enganada. Nasceu para isso. Ganhei uma chance, entenda, é seu destino. “

Não sei nem porque eu aceitei o que ela me pedia. Eu apenas senti que era o certo a fazer. Antes, eu era uma simples garota comum, agora, um mundo todo depende de mim. Eu conseguiria realmente aquilo a que fui destinada?

A  figura de Aleja tornou-se cada vez mais distante, sua voz foi diminuindo de tom, longe. Percebi que estava recobrando meus sentidos, o médico passava algodão com álcool no meu nariz.

“ Que bom você de volta, Gabriella. Aqui estava tendo o maior festão “, disse o médico colocando uma lanterna nos meus olhos.

“ Parece que está tudo bem. PARECE, por via de dúvidas quero que realize estes exames o mais rápido possível.

O médico saiu, meu pai acompanhou. No quarto ficaram a minha mãe e o Gabriel, com um belo galo na cabeça.

“ Querida por que saiu daquele  jeito? Que susto, você nos deu. “

“ Mãe, a Gabriella quer ser o centro das atenções, mas eu sou o caçula, “ meu irmão ficou de joelhos na minha cama.

“ Não me lembro muito bem. “ Na verdade, eu lembrava. Uma forte luz apareceu na minha frente e eu caí com o impacto. Um fantasma, espírito ou sei lá o quê disse que era uma segunda chance. Guardo a chave de dois mundos. Coisas a que estamos acostumados. O relógio anunciou meia-noite, mamãe me deixou só e levou o meu irmão, já era tarde.

Apoiei meus braços na dobra do cobertor, olhei o forro do meu quarto fixamente tentando reatar meus laços com o sono, minha gaveta começou a se mexer. Aquilo poderia parar, frustei-me, a gaveta caiu e uma garrafa brilhante começou a flutuar, levantei-me, caminhei lentamente até a escrivaninha. A garrafa se quebrou sozinha, vários pedaços de vidro estilhaçado, um cortou minha bochecha, depois a luz sumiu Ariel com certeza teria o troco.

Voltei para dormir, cobri-me e, finalmente dormi, como se tudo aquilo fosse só um sonho do qual brevemente eu acordaria. Acordaria para nunca mais voltar.

Já era manhã e devido a intensa luz que tomava conta do meu quarto, calculei que minha mãe havia permitido que eu faltasse. Dez horas no máximo. Quando desci, percebi que minha mãe conversava com alguém que não via, ela calou-se. Assim que passei pela porta, vi Ariel de braços cruzados encostado na pia de mármore que ficava no espaço quadriculado que o armário deixava entre seus compartimentos.

Minha mãe me cumprimentou, serviu meu desjejum e disse que iríamos ao hospital. Fiz cara feia de nada adiantou. Liguei meu celular, três ligações de Maurício não atendidas. Ele esperara até o final das aulas. Angélica saiu para verificar o carro. Nós dois ficamos a sós na cozinha, ele foi o primeiro a falar.

– Perdoe-me, senhorita. Espero que aceite meu pedido e me dê uma chance para explicar-me.

Continuei a comer. Ele “ sentou-se “ na minha frente. Concedi o direito de defesa.

“ Não sei bem o que anda acontecendo comigo, isso acontece desde que morri. De repente, parece que não existo, mas eu sei que sofro. Ontem, quando a senhorita saiu fiquei muito irritada e não consigo ficar “ sano “, quase destruí sua casa toda, a senhorita Cavalieri teve que me aprisionar e reconstruiu tudo que eu arrasei.”

“ E como se não bastasse, explodiu a garrafa na minha frente. Você é muito controlado. “

“ … eu fiz isso?, ele tocou o meu corte. “

“ Não se faça desentendido! “, afastei a mão do meu rosto. “

“ É sério. Eu não lembro. Perdão. Errei muito ultimamente, é justo que estejas zangada comigo e creio que não tens que me ajudar mais em nada. Não mais a importunarei, será como se nunca eu houvesse existido. “

“ Não é tão fácil como se pensa, Ariel. Desde que cheguei aqui as coisas na minha vida mudaram. Não posso simplesmente ignorar o que está acontecendo, como se vivesse em uma redoma de vidro. Um dia, ela vai quebrar. Olha só pra mim, pareço a mesma garota que você viu naquela noite? E o meu cabelo? Essa mecha branca que apareceu não é velhice – mostrei-a é, igual a sua. Faço isso por mim, por você, por Aleja e por toda uma dimensão que depende, de nós para sobreviver. “

“ Aleja? “, ele perguntou meio comovido.

“ Sim. Veja. “, ele fixou seus olhos nos meus, pude ver Aleja que estava na minha pupila refletido no azul dele.

“ Agora, somos uma só. Conheço a sua história, a minha . “

Tudo vai ser mais fácil. Precisamos nos unir. Vocês merecem uma outra chance. Vamos encontrar o seu assassino e o medalhão, confie em mim, estendi minhas mãos e ele as “tocou”  começamos a brilhar juntos e uma luz surgiu entre a gente. Tudo ficou esclarecido para Ariel. Ele redescobriu parte da sua história. Quando nos soltamos , eu continuei a brilhar.

Eu estava passando por uma transformação. O fantasma estava diferente. Seus olhos estavam brancos, suas roupas também. Era uma camisa de algodão manga longa, parecida com as de mosqueteiro, uma calça um pouco mais justa dentro da bota branca com detalhes dourados. Uma capa branca até o chão. Um símbolo apareceu em sua face, a marca dos guardiões: ficava em seu osso da bochecha direita. Ele tinha uma forma humana.

Aí, me olhei na transparência da porta de vidro da cozinha. Eu tinha a mesma marca, do lado esquerdo. Meus olhos também brancos. Um vestido branco cujo estilo seguia o de Ariel na parte de cima, um cinto, corda, ou sei lá o quê dourado na minha cintura, em baixo, o vestido abria na lateral, eu estava com uma calça da  mesma cor e a mesma bota. Minha capa era um pouco mais larga, meu cabelo cresceu um pouco mais.

Minha mãe entrou e não escondeu a surpresa. Levou a mão a boca e desmaiou. Eu estava flutuando juntamente com o meu amigo. Ele pegou minha mão e “ pousamos “, caminhei até minha mãe que estava no chão. Nos olhamos e erguemos Angélica com um simples movimento de mãos, ele sempre do lado direito, estendeu seu braço sobre minha mãe  e fechou a mão. Eu repeti o mesmo do lado esquerdo. Nos teletransportamos  para o quarto dela, colocamos-a em sua cama . Olhei para Ariel novamente, voltamos a forma normal.

“ Querida, você se transformou? Isso é, é, incrível “, minha progenitora encostou-se nas almofadas.

“ Mãe, não posso ir ao hospital. – respirei fundo – não sou mais humana. “

“ CO – MO assim? Não HUMANA? “

“ Continuo  com as mesmas lembranças humanas, carne e osso, posso me furar, cair, mas não sofrerei como humano. Só seres mágicos podem me ferir. Também não viverei só 69, 5 anos.  Pareço a mesma de antes, mais minha essência não. Sua filha  – engoli em seco – não existe mais. “

“ Quem é você? “, Angélica perguntou em meio as lágrimas. “ Aleja Cavalieri, sua bisavó, mas a Gabriella se governa. Duas em uma. “

“ Como ousa fazer isso? Ela tem uma vida pela frente, tem família, amigos, casa. Não é você quem decide. “

“ É uma decisão dela. Você acredita? Mãe,eu vou ficar bem, não se preocupe, “ ela me abraçou. Seria melhor não ter contado, mas ela deveria saber da minha escolha. Em breve, eu teria que partir. A despedida doía, mas era necessário, eu precisava. Faria dos próximos meses, inesquecíveis lembranças. Eu poderia não sobreviver, também poderia desistir, mas teria que viver escondida. No meio das sombras que tanto odeio e que querem me ver morta. Eu podia parecer normal querer me casar com um humano assim, como minha mãe. Mas isso jamais teria um fim. Aliás, o Maurício não…

Com a visita ao médico dispensada, ajudei-a em casa. A manhã passou rápido, toquei um pouco, coisa que eu amo. Os homens da casa chegaram, logo depois um outro visitante.

“ Vim ver como está. Minha mãe me trouxe até aqui. “ – seu cabelo estava molhado. Ele olhou para o carro, – acabei de sair do treino. “ Sua mãe foi até onde estávamos. “

“ Ah, prazer. Senhora… “

“ Me chame de Alessandra. Queria conhecer a garota que causa um verdadeiro interlúdio no meu filho. Soube que você é um enigma, “ ela apertou minha mão, sorri e pisquei o olho. Fiquei um pouco assustada. Meus pais cumprimentaram- na , Angélica convidou-os para almoçar conosco. Alessandra disse que teria de ir para casa, se quisesse ter uma casa ainda. O marido poderia tentar esquentar o almoço e criar uma bomba nessa tentativa. “ Trouxe suas matérias de hoje. “ – ele sorriu mostrando a mochila, Ariel colocou a cabeça dentro dela e confirmou. Caminhamos até a cozinha.

O almoço foi animado, principalmente porque Ariel parecia se divertir ao imitar Maurício, mas só eu podia ver. Gabriel não perdeu a oportunidade de ser inconveniente dizendo que eu falava sozinha. Meu amigo humano sorriu e concordou. Era tudo estranho, nunca ninguém conhecido meu almoçou na minha casa. Meus pais estavam alegres, talvez pela filha finalmente se socializar com alguém.

Ficamos para lavar pratos.

“ A Érica queria transformá-la em primeira capa. A manchete seria: Gabriella tenta matar uma louca varrida. – seu celular tocou e ela desligou.

“ Não vai atender? “, perguntei ensaboando os pratos.

É a Bia, ela pode  esperar. Você, não. Porque não me retornou? “

Continuei calada. Talvez ele fosse embora, eu sofreria mas passaria.

“ Por que  você não respeita o meu espaço? “, perguntei.

“ Por que você não derruba essa muralha? Eu tento me aproximar de você, mas simplesmente, parece que você é volátil “, ele mudou de lado para ver minha reação, enxugou os talheres e me encarou. Continuei com os meus pensamentos. Ele ia desistir.

“ Eu não vou desistir,” vou, parecia que ele havia lido minha mente. Terminei de lavar a louça, comecei a guardar.

“ Tudo bem. Eu acho que já chega desse jogo,” falei ao fechar a porta do armário.

“ Gabriella eu quero muito te falar uma coisa…, “ ele se aproximou de mim, arrastei o pano sobre a mesa, Maurício estava nervoso. Ficamos muito próximos.

O meu sonho de adolescente estaria se completando? Será que realmente eu escutaria o que eu queria que ele falasse? Não, melhor não. Agora, seria algo impossível. Eu realmente estava encrencada. Sua proximidade ia aumentando, eu já conseguia sentir a respiração dele. Mas, para a minha sorte-azar, Gabriel apareceu na porta.

“ Finalmente terminamos, “ Maurício falou pegando o pano de prato.

“ Vamos ao meu quarto da bagunça, para eu copiar os assuntos  de hoje . Assim você já pode ir. “

Caminhamos até o meu quarto da bagunça/ estúdio/ sala de estudo, Ariel estava lá, mexendo como sempre. Entramos a porta ficou aberta. Meu amigo fantasma fechou a porta bruscamente, Maurício se assustou com o barulho.

“ Acredita em fantasmas? “, perguntei.

“ Só tenho medo dos que estão vivos. Fantasmas não existem. “

Abri os livros sobre a mesa e meu caderno. O livro de feitiços escondi embaixo do teclado que estava desmontado.

“ Posso? “, Maurício falou mostrando o meu violão.

Assenti. Ele começou a tocar.

2

Não se sabote!

Meus amores, desculpem a ausência…estava participando de uma seleção (ainda estou) e a cada semana tinha algo para se fazer (ainda bem que agora é só esperar os resultados), o que mexeu basicamente com todos os meus nervos pelo simples fato de eu me encontrar em um estado de suspensão em que não sei bem como me sinto.

223063_375374299249659_2147429349_n

Esta semana farei três meses de graduada. Eu achava que a vida seria mais fácil depois de ter um diploma em mãos. Me disseram que a partir de então eu faria parte de um pequeno grupo seleto de pessoas e que isso me diferenciaria das demais pessoas. Ainda hoje procuro o que seria isso porque ultimamente tenho me sentido tão confusa quanto aquela garotinha de 16 anos que pisava na universidade pela primeira vez há quase cinco anos. Você começa a se perguntar se é bom o suficiente, se está preparado, se todo aquele esforço realmente vale a pena. Daí bate aquela tristeza de doer na alma porque você descobre que você se faz na experiência, e enquanto você não está vivenciado nada, então está nesse mesmo estágio de suspensão no qual me encontro, mas quer saber? Isso é super normal. Lembro que na véspera da quarta etapa dessa seleção, meu coração não parava quieto, uma angústia me dominava por completo e as lágrimas eram incontáveis, quase não dormi, tive pesadelos, enfim, um sofrimento que parecia eterno. Minha vontade era de “chutar o balde” (como sou uma pessoa dramática, foi a primeira coisa que me ocorreu). Sim, eu estava duvidando de mim, da minha capacidade. Ainda bem que eu tinha pessoas ao meu lado que sabiam exatamente como era se sentir assim, e o conselho que uma delas me deu foi:

NÃO SE SABOTE!

Afinal, entre tantas pessoas competentes, meu pior concorrente  era…eu mesma! Sim, eu estava me aproveitando da situação para me autossabotar, para não acreditar em mim, sim, me autodestruir. Logo eu que deveria ter o pensamento positivo mais que as outras pessoas! Tudo isso porque eu estava com medo de fracassar e esse medo era tão forte que eu estava me levando ao fracasso e não dando o melhor de mim. De cerca de 300 pessoas, eu tinha ficado em um grupo de pouco mais de 30 e para mim, aquilo já era o suficiente e que eu poderia parar por ali mesmo. Já era uma vitória, mas não era o meu objetivo quando me inscrevi…eu tinha esquecido isso.

Depois de tudo que passou, depois de tantas lutas será que nada disso te serviu? É apenas mais uma luta…você faria tudo outra vez? Se sim, é porque vale a pena. E não há sensação igual a essa de ter algo pelo qual lutar, de “colocar a mão na massa”, de sorrir mesmo com medo e de continuar mesmo que a vontade seja de sumir por alguns anos ou…décadas hahaha Afinal, você já conhece seu pior concorrente e sabe lidar melhor com ele do que qualquer outra pessoa.