Quando é hora de crescer…

Ela olha para aquela imensidão azul, aquela praia continuava a mesma desde as férias de criança, aquela água, provavelmente já deve ter molhado seus pés novamente desde a primeira vez em que lá estive. Ela não se sentia a mesma e enquanto segurava seu chapéu preferido, descobriu que nada ali era o mesmo. Por mais que as lembranças não fosse ser deletadas, ela era capaz de olhar saudosamente para tudo aquilo. Pelas vezes em que encolhida, chorou ali, pelas alegrias das férias entre amigos, pela família reunida. Agora, ela precisava se libertar daquela vontade de estar sempre lá. Aquilo não deveria durar por mais tempo, as visitas ao seu “lugar predileto do mundo todinho” já não seriam mais tão frequentes e ela não estava triste com isso, um dia iria acontecer. Deixou que o vento levasse seu chapéu, deixou que se fossem as coisas de menina, sem deixar de sê-la.

É um momento em que descobrimos que as coisas não serão mais tão fáceis, que garotos também nos fazem sofrer e que mudamos o humor constantemente, que alguns filmes não farão mais sentido (nem algumas pessoas) e você olha pra trás e se pergunta “eu gostava disso?”. Aprendemos a escolher o que é melhor, embora nem sempre seja o que nos faz feliz. Aprendemos a dizer adeus e a nos livrar do que não nos faz bem. Isso vem com o passar dos anos. Algumas coisas de garotas deixam de ser coisas de garotas e se tornam apenas NOSSAS  coisa ( e manias). Aprendemos que algumas amizades não resistem ao tempo, que alguns amores não eram amores na realidade. Descobrimos a decepção que, aos 15, é algo cruel e doloroso, mas que aos 20 é algo pelo que temos que passar. Muito disso se refere à nossa postura diante do mundo. Em algum lugar na mulher que se formou existe a mesma menina em pé na beira da praia que ainda não foi capaz de se despedir totalmente, mas se orgulha (ou não) da mulher que a abriga dentro de si.

A maturidade não nos faz escolher apenas o que queremos, ela se refere àquilo que se é necessário fazer, embora não seja o que queremos realmente, ela se torna parte de nós. As pessoas te verão de uma forma diferente, não só vêem, mas esperam que ajamos diferente. Muita gente vai depender disso, você também.

Depois que se despede, dá vontade de chorar, mas é apenas uma poda. Em breve, galhos mais fortes nascerão e o que parecia algo inaceitável, se tornaria o que era preciso fazer, por mais que isso seja descoberto apenas algum tempo depois. Se tornar mulher faz parte disso: de esperar o resultado enquanto se ainda tem semente, de sofrer calada e esconder alguns choros, de dizer que está tudo bem quando na verdade não está, de esperar, criar expectativa, se decepcionar e ainda assim estender a mão (ou se vingar de vez, que feio hein?), de ser várias querendo ser apenas uma, talvez, unica. Enfim, sempre saberemos quando é hora de crescer e quando chega esse momento não tem como fugir. A vida passa…as coisas, as escolhas, as pessoas, as mudanças…também.

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